Pôr o projeto em campo e outras estórias

No passado dia 20 de Abril, a convite da Professora Manuela Alvarez e com o apoio da Professora Filipa Alvim, apresentei uma palestra numa das aulas da unidade curricular de Projeto, no Mestrado de Antropologia Médica do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra. Esta sessão, apesar de ser pensada sobretudo para os alunos desse Mestrado, foi aberta a toda a comunidade académica. A apresentação que serviu de suporte a essa palestra está agora aqui disponível.

 

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Aprender japonês com séries – III

Nos primeiros artigos dedicados a aprender japonês com séries já cobrimos grande parte da questão da metodologia. Neste artigo vamos dar exemplos práticos a partir de uma nova recomendação de série.

A série chama-se “Sutekina sen taxi”, ou seja, o Taxi de qualidade superior. Na internet também a encontram com o nome Time-Taxi (se procurarem versões legendadas em inglês).

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Nesta série há temas distintos entre cada episódio, por isso é fácil criar um dossier com temas de estudo por cada episódio. Para além disso, essa estrutura introduz sempre personagens novas, com novas formas de se expressarem. A narrativa é simples e não nos distrai da aprendizagem da língua. Basicamente existe um taxista e o seu taxi, os quais se comportam em tudo como um taxi normal no Japão, excepto no facto de – para certos clientes – ele oferecer o serviço adicional de viajar ao passado para ajudar os seus passageiros a fazer diferentes escolhas nas suas vidas. Em alguns casos o taxista claramente envolve-se com o drama do passageiro, e quer ajudá-lo a todo o custo. Não é uma série desprovida de adrenalina, mas não é decididamente uma série com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Há uma clara prioridade na comunicação: primeiro entre o taxista e o passageiro (para que aquele o possa ajudar), depois entre o passageiro e as outras pessoas na situação do passado que ele revisita (para que a possa mudar), e por fim entre as pessoas do café onde o taxista vai muitas vezes – e que são aquilo que não muda ao longo da série.

O primeiro episódio abre com o nosso taxista a observar atentamente o menu do café. O nome do café (“Choice” em inglês, ou seja “Escolha”) e o facto de estar impresso na capa de um menu já é uma dica para o tema da série: as escolhas de vida e a ideia de “voltar atrás no tempo” para fazer escolhas diferentes. As séries japonesas estão cheias de pequenas referências como esta…

A primeira fala da série não é do taxista, mas sim da empregada do café, a qual – claramente farta de esperar – faz ainda um esforço por ser educada e pergunta:

“Ano… Okimari desu ka?” = Hummm… Já se decidiu?

Kanji: 決 – decidir, determinar, chegar a um acordo

Note-se como a empregada diz okimari desu ka = お決まり ですか?(leitura do verbo: おきまり) que é a forma educada, já que num discurso informal se usaria “Kimeta?” = 決めた?Dentro dos vários níveis de linguagem, os empregados de café ou qualquer outra pessoa que, no exercício da sua função esteja ao serviço de outros, vai naturalmente usar este nível mais formal.

O taxista ainda não decidiu e por isso responde-lhe:

“(T)chotto matte moraimasu.” = Espere mais um bocadinho.

ちょっとまってもらいます.

A escolha de resposta dele está conforme o nível de linguagem anteriormente usado. Não se conhecem, são apenas cliente e funcionário. Entre amigos chegados poderia usar-se apenas “(T)chotto mate kudasai” ou até sem “kudasai”.

Com a resposta do taxista a empregada do café perde um pouco a paciência. Apesar de o seu tom de voz continuar baixo e calmo não deixa de desabafar:

Daibu matte masu kedo. = À espera já estou eu há muito tempo.

だいぶ待ってますけど

Kanji: 待 – aguardar, depender de

“Daibu” é usado geralmente para expressar algo que foi demais, mais do que o esperado pelo menos. Pode fazer-se equivaler à expressão “consideravelmente” mas na linguagem corrente é usado sobretudo para expressar “Em vez disso (o que quer que tenha sido dito antes) deveria considerar-se que…”. Gramaticalmente é simultaneamente um advérbio e um adjectivo.

Por exemplo, se alguém disser que gasta muito dinheiro em livros podemos responder com a frase:

私は図書館の本をだいぶ借りた / Watashi wa toshokan no hon o daibu karita

pode entender-se como:

  1. Eu peço emprestados livros à biblioteca. (ou “da biblioteca” já que se usa の )
  2. Eu prefiro pedir emprestados livros à biblioteca (em vez de os comprar).

Querem ver o resto do episódio? Força! Mas não se esqueçam de estudar japonês 😉

Clique aqui para ser encaminhado para um website externo no qual poderá ver o primeiro episódio desta série.

 

 

Finalmente: a viagem!

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Quando “Um longo Verão no Japão” começou, em Fevereiro de 2013, tinha um sub-título: “conheça o projecto, faça a viagem”. Este subtítulo foi criado no contexto da primeira exposição de fotografias e da sua programação associada (conferências, visitas-guiadas, construção e desconstrução de mapa interactivo, documentário, etc.) e a viagem era ainda essencialmente virtual. Tratava-se de dar a conhecer o que a viagem revela, de emular a experiência para quem não foi, e de criar um paralelismo entre o acto de construir conhecimento e o acto de viajar. Contudo, apesar de ser um sonhinho pequenino e tímido, com aquela vozinha que não se impõe com medo que falar estrague, a vontade de realmente proporcionar a viagem estava lá. Exposições, documentários, artigos e livros é tudo muito bonito, mas o que eu queria mesmo era levar as pessoas lá, guiá-las pelas histórias que eu aprendi pondo um pé à frente do outro. No fundo, era eu-a professora, eu-a guia, euzinha mesmo, como sempre, em tudo o que já fiz, faço e farei.

Tarda, mas não falha. Isto de fazer o caminho é aceitar as curvas e apreciar as surpresas. E, sempre!, aproveitar as oportunidades. A oportunidade surgiu ao travar conhecimento com as pessoas por trás da Landescape, uma espécie-de-agência-de-viagens que não quer ser mais-uma-agência-de-viagens, e que vai crescendo apenas na medida em que alguém queira levar outras pessoas a descobrir um destino que já conhece muito bem e com o qual tem uma relação pessoal que não se fica pelo “turístico”.

Surge então o desafio: planear uma viagem para o Japão. E logo a seguir a necessidade de compromisso: tem de ser o “meu” Japão, mas também tem de ser uma viagem que não ignore 90% das expectativas das pessoas que eventualmente se vão inscrever. Ou seja, não posso fazer uma viagem inteiramente dedicada ao “meu” Japão, tenho também de ter em consideração que as pessoas não fazem um voo de 20 horas e uma viagem de 15 dias para depois voltarem sem terem ido, por exemplo, a Tokyo ou a Kyoto. Compreensível, deu foi um pouco mais de trabalho a planear. Mas, como podem ver aqui, acabei por ficar muito satisfeita com o itinerário. Esta será A Viagem, aquela que desde esse Fevereiro de 2013 estava a pairar no ar, A Viagem que eu queria proporcionar aos outros. E agora, para quem se queira deixar orientar por mim, já há uma viagem na qual se pode inscrever.  Nela poderão reconhecer aquilo que este blog e este projecto têm sempre sido. Só que bom, bom mesmo, é que agora vos posso levar (quase) pela mão aos lugares reais de toda essa grande estória (e através da História) que é a relação entre Portugal e o Japão.

Por causa desta viagem foram também agendados alguns eventos complementares, os quais estão – como sempre – abertos a todo o tipo de público mas foram criados a pensar especialmente naqueles que, uma vez decididos a embarcar neste itinerário, querem um cheirinho da viagem antes mesmo de fazer as malas. No dia 19 de Maio temos um workshop linguístico dedicado às 10 expressões mais úteis em japonês, no dia 23 de Junho pode participar na tertúlia Tradições e contradições na experiência do viajante, e se quer mesmo “arranhar” algum japonês para usar na viagem (um jantar fora, umas comprinhas sem correrias, a aventura de ir a uma “conbini” sozinho) recomendamos que se inscreva no Curso intensivo de iniciação que decorrerá durante o mês de Julho aos sábados.

E se alguma questão surgir, já sabe, nunca deixamos um email por responder:

umlongoveraonojapao@gmail.com