Origens do Hiragana

O método “O Caminho do Kanji”, que é original e exclusivo deste programa pedagógico, introduz os seus alunos à língua japonesa através de conhecimentos profundos e contextualizados na história do Oriente, privilegiando portanto uma imersão completa na cultura do Japão.

Poderá ter um vislumbre do bloco temático “Origens do Hiragana” neste vídeo introdutório. Esperamos contar com a sua presença nos nossos cursos e workshops!

Próximo workshop: 27 de Agosto, das 16h às 17.30h, em Lisboa

A partir de Setembro, aulas regulares em Coimbra.

Para solicitar a implementação deste programa noutras partes do país por favor contacte por email. Estamos disponíveis para colaborar com Escolas de Línguas, Câmaras Municipais, Centros de Cultura e Arte, e outras instituições ligadas ao ensino e à cidadania.

Inscrições 2017/18

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As inscrições para o ano lectivo 2017/18 encontram-se abertas. As aulas começarão de hoje a um mês, no dia 8 de Setembro.

O programa de Estudos Japoneses poderá ser frequentado por alunos maiores de 16 anos (sem limite de idade), tanto na sua totalidade como apenas numa ou mais disciplinas. A inscrição na totalidade do programa, por períodos trimestrais, tem vantagens para o aluno, nomeadamente por lhe dar desconto. A inscrição em aulas individuais também é possível, estando sujeita à lotação de cada aula/evento e até 24h antes do mesmo.

No primeiro trimestre do ano civil de 2018 iniciarão novas disciplinas que exigem a frequência das disciplinas leccionadas entre Setembro e Dezembro de 2018, pelo que os alunos que não se inscreverem neste primeiro período poderão não ter todas as opções disponíveis no restante ano lectivo.

Recordamos que este é o único plano pedagógico 100% dedicado aos Estudos Japoneses em Portugal, e que tem o reconhecimento da Embaixada do Japão em Portugal.

Para mais informações por favor escreva para umlongoveraonojapao@gmail.com ou na página de facebook. 

Ano novo à japonesa…

Para os alunos do curso de Introdução aos Estudos Japoneses, e para todos os outros visitantes deste blog, aqui ficam sete expressões japonesas para o ano-novo. Espero que estas sete para 2017 vos inspirem a juntar-se a um grupo de estudo da cultura japonesa, seja o nosso ou outro qualquer, que os há de norte a sul do país. Vamos fazer a cultura japonesa e a cultura portuguesa darem um abraço e entenderem-se melhor uma à outra ao longo deste ano, sim? E, de resto, votos de um excelente ano para todos!

Download de Apresentação —>   7-expressoes-japonesas-para-o-ano-novo

Recomendação de leitura: O Elogio da Sombra.

O Elogio da Sombra, uma obra de Junichirou Tanizaki (1886-1965), foi publicado em 1933 e teve a sua primeira edição portuguesa em 1999. Tanizaki é um escritor que encarna plenamente a sua geração, preocupado com a especificidade (superioridade?) da cultura japonesa ao mesmo tempo que conhece e comenta a cultura ocidental. A obra, despretensiosa e elaborada à maneira de um ensaio livre, é profundamente visual e frequentemente poética, mesmo sem imagens ou lírica. Contudo, a segunda edição (da Relógio D’Água, 2008) apresenta uma selecção de fotografias que ajudam o leitor a ter uma impressão mais nítida de algumas das considerações do autor.

o elogio da sombra

Ler o Elogio da Sombra é uma coisa que um interessado na cultura japonesa deverá fazer repetidas vezes ao longo do seu percurso de aprendizagem. É suficientemente curto para nos ocupar um dia do final-de-semana e suficientemente denso para nos dar que pensar por muitas semanas! A última vez que o tinha lido fora há cerca de cinco anos, precisamente quando estava a começar uma fase intrépida do meu percurso académico, tendo escolhido prosseguir o doutoramento na área dos estudos japoneses. Ao sentir que necessitava de inspiração voltei-me naturalmente para uma das obras que tinha lido na licenciatura em história da arte, e que ainda penso ser fundamental para entender a arte japonesa. Aliás, o texto de Tanizaki, na forma como tece considerações entre a arquitectura, o culto do chá, o mobiliário e decoração, o teatro, a gastronomia, a literatura, a poesia, e mesmo a vida mundana mostra-nos desde o princípio que as categorias de “arte” que usamos no Ocidente não servem para entender as florações de criatividade nipónicas. Não há uma separação rígida entre “artes maiores” e “menores” e a estética aparece-nos como algo fluido, entre as suas diversas manifestações.

A sombra, uma figura que passa pelas diversas experiências estéticas sobre as quais o autor discorre, serve-lhe para integrar a arte japonesa do passado na projecção da identidade japonesa do (seu) presente. Não sendo sequer enunciado que o autor conhece (e dialoga implicitamente com) as obras de Poe, Baudelaire, ou Wilde, o leitor Ocidental poderá contudo sentir que as palavras lhe são dirigidas por alguém que consegue transpor a ponte do divórcio entre culturas. Para além disso, Tanizaki é o autor de um verdadeiro feito em discurso: dirige-se simultaneamente ao leitor estrangeiro e ao japonês (a obra foi escrita apenas para o público japonês originalmente, mas um público profundamente “ocidentalizado”). Argumenta – com veemência mas sem rudeza – a favor da necessidade de preservar o que o Japão tem de japonês, mesmo depois da febre da ocidentalização, do Grande Terramoto de Kanto (1923) e da emergência do discurso imperialista.

O Elogio da Sombra é como um velho amigo que nunca nos desilude mesmo se o negligenciámos um pouco, e nunca merecerá ganhar pó na prateleira. Se ainda não teve a oportunidade de se deleitar com esta leitura considere visitar uma livraria e sentar-se um pouco na sua companhia. Duvido muito que resista a levá-lo para casa…

 

 

 

 

 

Novo artigo no BPJS

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Foi publicado um artigo meu (de 2011) no BPJS, no volume nº 1 de 2015, que por motivos de orçamento e edição só foi tornado público agora. Por vezes mesmo aquilo que já nem tínhamos esperança que visse a luz do dia finalmente aparece… Por causa deste processo demorado devo acrescentar que as ideias do artigo já não estão 100% actualizadas. A investigação avançou mais e algumas questões foram revistas. Ainda assim, na sua abordagem geral, continua a reflectir a minha base de trabalho: não dar um termo por garantido e pôr sempre questões ao COMO e ao PORQUÊ de cada coisa. Se pretender ler o artigo ele é de acesso gratuito através do site da revista.

Referência bibliográfica:

Matos, Inês Carvalho (2015) “Namban Labyrinth” , Bulletin of Portuguese / Japanese Studies, 2ª série, vol. 1, 77-108.

Para comentar, citar ou integrar num website, por favor escreva para umlongoveraonojapao@gmail.com

Informações sobre a revista:

O Bulletin of Portuguese / Japanese Studies (BPJS) foi lançado em 2000 como um jornal interdisciplinar de humanidades e ciências sociais, pelo então Centro de História de Além-Mar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É uma publicação em língua inglesa, a única em Portugal dedicada aos Estudos Japoneses, e encontra-se indexada na ABX-CLIO, AERES, CARHUS Plus, CIRC, classifICS, ERIH Plus, MIAR, RedALyc, SHERPA/RoMEO, etc. O volume nº 1 de 2015 é o primeiro volume de uma nova fase do BPJS, com edição exclusivamente digital, sendo o painel editorial encabeçado pela Professora Doutora Alexandra Curvelo.

Pode aceder ao PDF do artigo aqui.

 

要旨

本稿では、いわゆる美術品と総称される可動性芸術遺産に適用される用語「南蛮」の起 源の再考を試みる。様式的、史的、文化的、等のジャンルの分類の基礎となる理論的・ 方法論的なアプローチを通じ、ポルトガルとポルトガル以外に存在する「南蛮」につ いての見解の潮流を比較し、その際だった差異を検証する。南蛮芸術を論じる際、芸術 としての認識に始まり、その美術作品が伝える内容、さらに付随する価値に至るまで、 複雑な迷路をさまよう感覚に陥る。本稿では既成された観念形態的な設定の解体を試み る。同時に、ポルトガルでの南蛮芸術に関する研究において、通常は考慮されることの ない(沈黙が保たれていたり、受け入れられずにいる)品々についても検討する。具体 的には、沈黙が保たれている対象がキリシタン殉教を描く作品類であり、受け入れられ ずにいる対象とは踏み絵を指す。それに加え、国際的美術品市場および21世紀に入り発 表され世界の広範囲に広まる論説でなされる偽りの価値も、南蛮美術史に関して本稿で 試みるような再評価を構築する要因となっている。その結果、美術史、美術地理学、形 状の移行についての文化研究、および「異種」の描写についての文化研究といった複数 研究分野の境界的領域に学際的研究分野が現れる。本稿は、人類が初めて経験するグロ ーバル時代に生み出され、植民地独立後の現代性の中で管理されるインパクトの前兆と なる作品の創造という観点における研究テーマとしての南蛮美術の紹介を試行する。

PDFのリンク

Cultura & História + Artes & Ofícios – compilação mês de Setembro

Aos domingos, a partir de Setembro, publicam-se pequenos artigos sobre arte, cultura e história do Japão, exclusivos da página de Facebook e do blog, criados por Inês C. Matos (historiadora de arte). No final do mês os artigos são apresentados no blog, em formato de compilação, mas sem os links para vídeos e outros conteúdos audiovisuais (para os ver visite o Facebook de “Um longo Verão no Japão”).

6.9.2015

“Tansu” é uma tipologia de mobiliário específico do Japão. A região mais famosa pela sua produção é Sendai, pelo que por vezes se chama a esses objectos Sendai-Tansu. O “tansu” começou a ser produzido na era Genroku (1688–1704) e, quando comparamos essa cronologia com os eventos do período imediatamente anterior, podemos ver que o estilo deste móvel assemelha-se um pouco aos móveis designados “contadores” que enriquecem as colecções de arte asiática dos museus portugueses.

Tal como o “contador”, que está tão ligado às condições de vida itinerantes (tem pegas, gavetas secretas para a contabilidade dos mercadores, não tem pregos nem ferros por dentro para se adaptar aos climas húmidos e viagens de barco, etc), o “tansu” também tem múltiplas gavetas, pegas laterais, a sua forma compacta e resistente é a de uma caixa, e o material predominante é a madeira. Os primeiros “tansu” assemelhavam-se muito a arcas europeias, com uma ferragem pesada e grande que fechava a tampa da arca, com um tampo plano e com uma forma baixa e larga (ainda sem muitas gavetas). Alguns tinham rodas, como os Nagamochi Kuruma, sendo esta a tipologia que mais se relaciona com a presença dos europeus no sul do Japão uma vez que os Nagamochi Kuruma foram registados como parte do inventário dos bens que existiam em Dejima (uma ilha artificial na costa de Nagasaki, criada para residência dos portugueses e, depois destes abandonarem o Japão, usada para residência dos Holandeses).

Ao longo de período Edo os “tansu” foram refinando o seu estilo, tendo-se tornado mais decorativos no período Meiji – precisamente porque as leis que restringiam a posse de bens sumptuosos foram afrouxadas.

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13.09.2015

“Kokeshi” é o nome pelo qual são conhecidas as peças de artesanato japonês que se parecem com pequenas bonecas de madeira. Na verdade as “kokeshi” não são realmente bonecas, pois não têm braços nem pernas. Trata-se apenas de um cilindro de madeira (por vezes oco) e uma bola como cabeça. A simplicidade da forma e da decoração destas bonecas fez delas um dos encantos do Japão, amadas tanto por japoneses como por turistas.

As “kokeshi” começaram a ser produzidas entre 1600 e 1700 na prefeitura de Miyagi, e supôe-se que a sua associação às termas (onzen) perto de Zaoo se deu quando começaram a vender-se como um “souvenir” regional. A sua popularidade cresceu a partir do final do século XVIII, precisamente devido ao hábito de visitar termas e trazer pequenas peças de arte dos artesãos locais. O aspecto adorável das “kokeshi” veio corresponder à imagem idealizada de uma eterna criança, à memória de ter prazer e divertimento sem culpa, e enfim ao edonismo da sociedade da época.

No entanto o mais provável é que as “kokeshi”, tal como muitos outros objectos de madeira com forma humana (no Japão e noutras culturas) tenha começado por ser um objecto com funções psico-mágicas, associada ao espírito de uma menina desejada ou falecida. A sua pintura floral e as características esteriotipadas da pintura facial parecem sugerir que não representa realmente um ser humano nem uma “boneca” (no sentido de ser um brinquedo) mas sim um objecto simbólico.

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20.09.2015

Hoje vamos conhecer uma técnica artística japonesa chamada Kintsugi. Kintsugi é ao mesmo tempo uma forma de arte e uma estratégia para remendar cerâmica partida. Quando uma peça de cerâmica se partia era hábito usar grampos de metal para voltar a juntar os pedaços, um pouco como funcionam os clips de hoje em dia nas folhas de papel. Contudo no Japão existia também uma substância proveniente da resina de uma árvore que, para além da laca, permitia fabricar uma cola resistente. Assim, começaram a reconstruir as tigelas, potes, vasos e pratos de cerâmica partidos com esta cola resinosa. A cola em si é eficiente, e também resistente à água, mas a peça não parecia finalizada. Então seguiu-se a prática de soprar pó de ouro sobre a substância resinosa (como se fazia na decoração de caixas lacadas), cobrindo assim os riscos entre as partes coladas.

Ao enfatizar a zona onde se deu a ruptura da peça e tornar o “defeito” num ornamento, a peça ganha outro aspecto. A marca de ter sido quebrada não é escondida, em vez disso torna-se num padrão de linhas de ouro, o que dá mais valor ao objecto tanto estética como materialmente. Não temos exactamente a certeza quando é que o Kintsugi começou a fazer-se no Japão mas sabemos que no século XVI já era reconhecida pelos Japoneses como uma técnica específica do seu território, profundamente ligada à estética do budismo zen e a princípios fundamentais da filosofia nipónica tais como “wabi-sabi”.

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27.09.2015 (antecipação)

Aos domingos é tempo para um post sobre arte, cultura e história do Japão.

Tive a sorte de ver uma conferência de Christoffer Bovbjerg no ano passado, logo depois de ele ter concluído o seu doutoramento e fiquei a admirar este especialista de estudos japoneses pela sua abordagem em relação à história do Japão e, de modo geral, pela sua atitude como académico. Recentemente descobri que uma das suas conferências (ainda anterior à que eu vi) está integralmente no youtube. Para quem deseja dedicar-se aos estudos japoneses é imperdivel! Nesta conferência ele fala dos períodos nos quais tradicionalmente se divide a história do Japão e o que caracteriza cada um deles. Mas, e aí está a vantagem, mantêm o espírito crítico em relação ao próprio modo de periodizar a história do Japão. É uma conferência muito interessante e com uma progressão rápida. Deve ter-se em consideração que está gravada sem legendas, em inglês, e infelizmente eu não tive tempo de a legendar para português, mas creio que está acessível a estudantes a partir do ensino superior pois a qualidade do som é boa a a dicção bastante clara.

https://www.youtube.com/watch?v=m0gDqnwJjMQ