Curso intensivo

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Estamos a receber inscrições para o Curso Intensivo de Introdução à Língua Japonesa, o qual irá decorrer no mes de Julho.

Se quer fazer a inscrição em nome do seu filho/a, indique no e-mail a idade do/a menor e certifique-se que reúne as condições para participar.

Informações e inscrições por e-mail: umlongoveraonojapao@gmail.com

 

Primeiro “Vamos Japonicar!” em Portugal

No passado dia 26 de Maio realizámos em Coimbra o primeiro “Vamos Japonicar!” em Portugal.

O nosso evento teve como base o modelo oficial da Japan Foundation, pólo de Madrid, a qual nos deu informação e autorização para concretizar o “Vamos Japonicar!” do sábado passado. O modelo espanhol tem o título “¡Vamos a nihonguear!”, e por isso a versão em Portugal ficou com o título “Vamos Japonicar!”. Para saber mais sobre o “¡Vamos a nihonguear!” consulte a página oficial .

Apesar de termos de respeitar certos parâmetros, a verdade é que foi necessário fazer várias adaptações para que o evento fosse bem sucedido no contexto português. Desde logo o alinhamento das actividades é uma criação original nossa, pois para além de darmos um tema geral – férias de Verão – também criámos actividades específicas e sequenciais para fazer ao longo das duas horas de duração do evento. A parte de conversação orientada foi aqui muito mais trabalhada, já que os alunos tinham três etapas de conversação diferentes: primeiro sobre o jogo da karuta e as expressões lidas a partir do jogo; segundo sobre os lugares que mais gostavam na cidade e região (conversando portando dos seus interesses e hábitos); terceiro sobre que lugares e actividades seriam ideais para planear de um dia de férias (a última actividade consistia na criação de um plano para um grupo de pessoas e com um orçamento pré-definido).

O facto de realizarmos este evento em Coimbra e portanto de termos uma maioria de participantes da região, também influenciou o modo como coordenámos o evento. Quase 100% dos participantes eram estudantes da Universidade de Coimbra, tanto os japoneses que estão por cá a fazer o curso de língua portuguesa para estrangeiros como os portugueses que são ou já foram nossos alunos nos programas de língua japonesa. Contudo o evento foi aberto a toda a sociedade, e se pudermos vir a realizar mais iremos manter a porta aberta para participantes de todas as idades e proveniências, desde que com o nível A1 já realizado.

Este foi mais um evento sem fins lucrativos, no qual tanto eu (Inês Matos), como a docente de língua japonesa (Ayano Sensei) trabalhámos voluntariamente e de modo independente de qualquer instituição. O preço de entrada (que não era obrigatório, já que vários estudantes com necessidades económicas entraram sem pagar) era apenas dois euros por pessoa, para cobrir a despesa do aluguer da sala. Naturalmente estamos muito satisfeitas com o evento, pois teve grande adesão – 25 participantes! – e proporcionou a oportunidade de estes dois grupos de pessoas se conhecerem e poderem no futuro continuar a aprender a língua uns dos outros e a respeitarem as diferenças de cultura e mentalidade uns dos outros.

A todos os que estiveram presentes, e que com a sua boa-disposição, tolerância, simpatia e amizade tornaram este evento uma verdadeira ocasião de partilha e de crescimento, estamos profundamente agradecidas!

 

 

Aprender japonês com séries – III

Nos primeiros artigos dedicados a aprender japonês com séries já cobrimos grande parte da questão da metodologia. Neste artigo vamos dar exemplos práticos a partir de uma nova recomendação de série.

A série chama-se “Sutekina sen taxi”, ou seja, o Taxi de qualidade superior. Na internet também a encontram com o nome Time-Taxi (se procurarem versões legendadas em inglês).

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Nesta série há temas distintos entre cada episódio, por isso é fácil criar um dossier com temas de estudo por cada episódio. Para além disso, essa estrutura introduz sempre personagens novas, com novas formas de se expressarem. A narrativa é simples e não nos distrai da aprendizagem da língua. Basicamente existe um taxista e o seu taxi, os quais se comportam em tudo como um taxi normal no Japão, excepto no facto de – para certos clientes – ele oferecer o serviço adicional de viajar ao passado para ajudar os seus passageiros a fazer diferentes escolhas nas suas vidas. Em alguns casos o taxista claramente envolve-se com o drama do passageiro, e quer ajudá-lo a todo o custo. Não é uma série desprovida de adrenalina, mas não é decididamente uma série com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Há uma clara prioridade na comunicação: primeiro entre o taxista e o passageiro (para que aquele o possa ajudar), depois entre o passageiro e as outras pessoas na situação do passado que ele revisita (para que a possa mudar), e por fim entre as pessoas do café onde o taxista vai muitas vezes – e que são aquilo que não muda ao longo da série.

O primeiro episódio abre com o nosso taxista a observar atentamente o menu do café. O nome do café (“Choice” em inglês, ou seja “Escolha”) e o facto de estar impresso na capa de um menu já é uma dica para o tema da série: as escolhas de vida e a ideia de “voltar atrás no tempo” para fazer escolhas diferentes. As séries japonesas estão cheias de pequenas referências como esta…

A primeira fala da série não é do taxista, mas sim da empregada do café, a qual – claramente farta de esperar – faz ainda um esforço por ser educada e pergunta:

“Ano… Okimari desu ka?” = Hummm… Já se decidiu?

Kanji: 決 – decidir, determinar, chegar a um acordo

Note-se como a empregada diz okimari desu ka = お決まり ですか?(leitura do verbo: おきまり) que é a forma educada, já que num discurso informal se usaria “Kimeta?” = 決めた?Dentro dos vários níveis de linguagem, os empregados de café ou qualquer outra pessoa que, no exercício da sua função esteja ao serviço de outros, vai naturalmente usar este nível mais formal.

O taxista ainda não decidiu e por isso responde-lhe:

“(T)chotto matte moraimasu.” = Espere mais um bocadinho.

ちょっとまってもらいます.

A escolha de resposta dele está conforme o nível de linguagem anteriormente usado. Não se conhecem, são apenas cliente e funcionário. Entre amigos chegados poderia usar-se apenas “(T)chotto mate kudasai” ou até sem “kudasai”.

Com a resposta do taxista a empregada do café perde um pouco a paciência. Apesar de o seu tom de voz continuar baixo e calmo não deixa de desabafar:

Daibu matte masu kedo. = À espera já estou eu há muito tempo.

だいぶ待ってますけど

Kanji: 待 – aguardar, depender de

“Daibu” é usado geralmente para expressar algo que foi demais, mais do que o esperado pelo menos. Pode fazer-se equivaler à expressão “consideravelmente” mas na linguagem corrente é usado sobretudo para expressar “Em vez disso (o que quer que tenha sido dito antes) deveria considerar-se que…”. Gramaticalmente é simultaneamente um advérbio e um adjectivo.

Por exemplo, se alguém disser que gasta muito dinheiro em livros podemos responder com a frase:

私は図書館の本をだいぶ借りた / Watashi wa toshokan no hon o daibu karita

pode entender-se como:

  1. Eu peço emprestados livros à biblioteca. (ou “da biblioteca” já que se usa の )
  2. Eu prefiro pedir emprestados livros à biblioteca (em vez de os comprar).

Querem ver o resto do episódio? Força! Mas não se esqueçam de estudar japonês 😉

Clique aqui para ser encaminhado para um website externo no qual poderá ver o primeiro episódio desta série.

 

 

Quem quer “viajar” ao Japão? (parte I)

19 maio workshop linguistico

19 de Maio (sábado), das 17h às 18:30h, no Instituto Universitário Justiça e Paz.

Neste workshop linguístico aprenderá a pronunciar, compreender e usar as 10 expressões mais úteis em língua japonesa (e outros conteúdos associados), as quais farão toda a diferença na sua experiência de viagem.

Este workshop foi concebido para aumentar a qualidade da experiência daqueles que planeiam visitar o Japão brevemente, desejando conhecer previamente alguns elementos da sua língua, cultura, história e sociedade. Para além deste workshop linguístico existem outros eventos de formação previstos, ao longo dos meses Maio, Junho e Julho.

Para mais informações escreva-nos para umlongoveraonojapao@gmail.com

Contribuição para este workshop:
10€/pax – com todos os materiais pedagógicos incluídos.

Aulas de língua japonesa de Abril a Junho

Este post foi editado a 28-03-2018 de modo a incluir alterações de agenda, as quais foram motivadas pelo cancelamento dos grupos A e B de língua japonesa. 

O calendário de aulas para o grupo C (intermédio) é o seguinte:

entre as 21h e as 22:30h, sextas-feiras

Abril: 6, 13, 20 e 27; Maio: 4, 11, 18 e 25; Junho: 1, 8, 15 e 22

Total de aulas previstas neste trimestre: 12. Valor: 120 euros.

As inscrições para as aulas deste trimestre com os valores acima indicados decorrem até ao dia 5 de Abril, considerando-se imprescindível para o registo de inscrição o envio de comprovativo de pagamento para este email: umlongoveraonojapao@gmail.com.

Os alunos do ensino superior com dificuldades económicas poderão inscrever-se liquidando o mínimo de 50% no acto de inscrição, sendo o restante 50% necessariamente liquidado até ao dia 4 de Maio.

Para inscrições recebidas depois do dia 5 de Abril o valor da contribuição trimestral é calculado a 15 euros por aula (em vez de 10 euros).

Todos os interessados em integrar estas aulas e que não sejam ainda alunos do nosso programa poderão solicitar diagnóstico (gratuito).

Aprender japonês com séries – II

Para saber mais sobre os objectivos desta rubrica por favor leia este post. Para saber mais sobre a primeira recomendação desta rubrica, que é uma série de animação, leia este post.

Como a principal preocupação aqui é ajudar os nossos alunos de língua japonesa e todos aqueles que estão a procurar aperfeiçoar o seu japonês, vamos focar-nos agora em recomendações práticas e metodológicas. Independentemente da idade, género, preferências e gostos do aluno, é importante ter em mente que o primeiro requisito para um estudo bem sucedido é a metodologia. E se a palavra o incomoda basta substituí-la por “atitude”. Se o aluno simplesmente vê as séries, passivamente, colherá apenas benefícios mínimos da experiência imersiva da qual falámos no primeiro post desta rubrica. Por outro lado, se a sua “atitude” for activa, a série servirá para lhe abrir as portas da língua japonesa sem contudo deixar de lhe proporcionar prazer/entretenimento. É certo que pode ser incómodo, ao início, instrumentalizar assim uma série e interromper os episódios constantemente, mas ao entender as subtilezas de discurso e de drama que antes lhe estavam vedadas irá desfrutar ainda mais do programa que está a ver.

Para sabermos mais sobre esta “atitude” vamos começar por uma expressão japonesa:

テレビを見ることは受動的活動である。(Ver televisão é – por definição – uma não-actividade / é passivo.)

A palavra-chave da expressão acima é 受動的  (leitura: じゅどうてき), que transmite a ideia de não-acção, passividade, contemplação, quietude, sentido acrítico.  Pode ser o ideal para um passeio no bosque, a meditação zen ou a visita a uma galeria para contemplar obras de arte, mas não é considerado algo positivo quando o observador está exposto aos media e muito menos quando está a procurar aprender alguma coisa com eles. Por isso, em vez de 受動的, o aluno deve procurar ser 能動的 (leitura: のうどうてき), isto é, activo. O primeiro kanji ( 能 ) diz respeito à habilidade, talento ou capacidade, e o segundo kanji ( 動 ) apresenta-nos os valores (ambíguos) do movimento, mudança, choque ou convulsão. Ter uma atitude 能動的 não é só ser activo mas também saber usar a dinâmica da actividade para enriquecer ainda mais os talentos que já possuí, usando por isso a habilidade que já tem de modo incipiente para a aumentar exponencialmente.

A partir deste ponto é necessário fazer uma diferenciação na metodologia: de um lado há aqueles que necessitam de legendas na sua língua materna (ou inglês, que é mais frequente), e do outro há aqueles que avançam mais se virem as séries com legendas em japonês. O “segredo” de um estudo bem sucedido é a adequação das capacidades que se pretendem adquirir com aquelas que já se têm, pelo que as ferramentas a pôr em prática são diferentes conforme o nível de proficiência do aluno.

Para um aluno que veja a série com legendas na sua língua (ou numa outra língua que domina bem) também se aplica o que se dirá a seguir para os alunos mais avançados, mas com ligeiros ajustes. O aluno de iniciação pode fazer, por exemplo, um dicionário de expressões coloquiais, ou mesmo um quadro de falas típicas de cada uma das personagens, o que o ajudará a compreender o discurso quotidiano e a correspondência entre perfil da personagem e nível da linguagem utilizada. Para que esta estratégia funcione é importante que as legendas tenham sido bem colocadas, o que infelizmente nem sempre acontece nos serviços de fan-sub (fãs que criam as legendas de modo amador, colocando assim as séries disponíveis em sites de acesso gratuito).

Para o aluno que já consegue acompanhar uma série com legendas em japonês, deverá fazê-lo. Mesmo em serviços de visualização tão comuns hoje em dia como o Netflix e o Hulu essa funcionalidade existe. Aliás, ao escolher as legendas em japonês, o número de séries disponíveis será automaticamente seleccionado, já que as opções variam de país para país. A principal vantagem de estar a ler as legendas em japonês ao mesmo tempo que se ouve é que essa experiência é muito próxima da experiência escolar e exige logo uma postura mais concentrada (em vez do “binge-waching”). O aluno tem uma confirmação instantânea do que conhece e do que não conhece no vocabulário e pode fazer as pausas necessárias para criar um dicionário de novo vocabulário adquirido. Mas  fazer “pausa” uma vez não chega, é necessário voltar atrás tantas vezes quantas necessárias e ouvir de novo o vocabulário ou frase recém-adquirida, desta vez com os olhos fechados para se concentrar na aquisição da memória sonora.

Escusado será dizer que este exercício corre melhor quando se faz sozinho, a menos que dois ou mais alunos se encontrem exactamente no mesmo nível e com as mesmas características de aquisição da língua japonesa, o que é extremamente raro. Mesmo entre alunos que tiveram aulas na mesma turma desde o início há aqueles que aprendem mais pelo ouvido, os que se fundamentam na gramática, os que têm a escrita mais avançada que a pronúncia, etc. Por isso, essencialmente, o exercício em si é para se fazer a sós e com a atenção indivisa. Depois, numa segunda ou terceira visualização do episódio, já pode fazê-lo com amigos/colegas e até eventualmente desfrutar mais de outros elementos que ficaram em segundo plano quando estava focado em aprender a língua, como por exemplo os cenários ou a banda sonora.

Para além da abordagem 能動, ou mais exactamente por causa dessa abordagem, é importante escolher séries em que o uso da língua seja realista. Note-se, não se está aqui a dizer que a série em si tem de ser realista, pois até escolhemos apresentar como primeira sugestão uma série em que os animais falam… Mas é realmente importante que a referência que vai ser usada para estudo seja um reflexo do uso da língua japonesa actual, quotidiana e correcta. Séries que sejam até extremamente realistas – por exemplo uma série de tema histórico que se foque em Sengoku Jidai (no período dos Reinos Combatentes, séc. XV d.C) – podem ter muito interesse para um certo tipo de alunos, mas se os diálogos são todos num japonês histórico ou arcaico isso não vai ajudar quase nada o aluno que pretende adquirir conhecimentos sobre a língua japonesa no século XXI. Na verdade, no que diz respeito a expressões coloquiais ou mesmo gíria, até conteúdos tão recentes como os anos 90 do século XX podem ser demasiado “datados”. Por exemplo, a expressão ちょうベリバア, em que ちょう é o prefixo informal para “super” e ベリバア é o neologismo com origem no inglês “very bad”, foi uma expressão típica do movimento gyaru dos anos 90 mas quem a usar em voz alta hoje em dia irá parecer muitíssimo desactualizado, um pouco como se dissesse “bué” (que também esteve na moda na cultura juvenil em Portugal há alguns anos atrás). Consequentemente, é preciso ter cautela com o vocabulário das chamadas “expressões idiomáticas” e com expressões datadas. Pode ser divertido descobri-las, mas não seria nada divertido usá-las no contexto de conversação com alguém que tenha o japonês como língua nativa.

O terceiro aspecto que necessitamos de apontar aqui é a questão da aquisição de hábitos, ou seja, “a repetição faz a perfeição”. O aluno deverá prever que não vai aprender muito nem colher imediatamente os benefícios da primeira vez que faz este exercício, e talvez até nem da primeira série que “estuda” desta maneira. Com efeito, pode até nem ser pela falta de experiência neste tipo de exercício mas sim por critérios que dependem mais da escolha da série (actores, tema, duração, etc). Contudo, é importante ter consistência e praticar mesmo assim. Normalmente depois de alguns episódios já se sentirá muito natural a fazer este estudo. Portanto, a primeira série que se escolhe para praticar “aprender japonês com séries” deverá ser mais para praticar o método em si do que pelo que pode aprender com a série, e nesse caso deverá até escolher uma série com um japonês muito básico. Numa segunda série poderá aumentar o grau de dificuldade e assim sucessivamente.

Recomendamos que experimentem a série ビューティフルレイン (Beautiful Rain), porque a maior parte dos diálogos são entre um adulto e uma criança (pai e filha) e por isso são muito simples na sua estrutura e com um vocabulário muito acessível. Esta série também não está “datada” porque é de 2012 e o tema é um dos mais comuns nas séries do tipo “para toda a família”: como lidar com a doença debilitante e/ou fatal no seio das relações familiares. Se já vê séries japonesas saberá como este argumento é comum, essencialmente porque permite apresentar grandes momentos dramáticos e explorar o tema da dependência como fundamento do amor (algo muito especificamente nipónico).

jdrama beautiful rain