Lições do Japão

Neste momento o mundo enfrenta uma pandemia inédita. O Covid-19 é uma doença nova, sobre a qual ainda há muito que não se conhece e infelizmente já trouxe grande sofrimento a muitos de nós. Respeitamos os que, com bravura, cuidam da nossa saúde, alimentação, segurança, gestão pública, e também de todos os que continuam a produzir arte e cultura para alimentar a mente e o coração. Durante vários dias, ponderando se deveríamos criar um post para este blog, colocou-se a questão “como fazer a diferença pela positiva?”. Com efeito, não faz sentido agora mostrar as experiências em viagem, porque as viagens desta Primavera estão suspensas. Também não podemos mostrar as aulas, workshops, cursos e exposições, porque também isso ficou adiado por tempo indeterminado. Podemos sim contribuir com um pouco de sabedoria e conhecimento no sentido de procurarmos todos proteger-nos o melhor possível. Há um lugar para onde nos voltamos sempre: o Japão. E por isso voltámos a essa premissa inicial, a essa fonte de inspiração, para criar este artigo. Esperamos que gostem e que estejam bem, se possível em isolamento social ou quarentena, para que o futuro venha a ser melhor do que o presente.

 

1.  A cultura de não tocar no rosto

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No Japão a etiqueta de comportamento correcto para cada situação tem, mesmo nos dias de hoje, uma grande importância. De modo geral, podemos dizer que na sociedade japonesa há mais consciência sobre o gesto, e sobretudo sobre a sequência de gestos e suas repercussões. Por exemplo, se um cliente ou consumidor de um estabelecimento vir que o funcionário da loja toca muito no seu próprio rosto, vai evitar pegar os artigos expostos para venda naquela loja, porque vai recear que estejam tocados pelo funcionário. A resposta é imediata, digamos que nem sequer é consciente, mas por trás da atitude está a consideração implícita de que poderão ter vestígios de suor, saliva, ou outros fluídos, e por isso não seria higiénico.

Para ambos os géneros, homens e mulheres, tocar frequentemente no rosto ou cabelo, é considerado inapropriado. Se feito em demasia dá a impressão de alteração de estado de espírito, ansiedade, nervosismo, e por isso é indicador de fraqueza de carácter. Tocar frequentemente na cara, como se não pudesse ter controlo sobre esse “tique” é portanto algo que diminui a credibilidade de uma pessoa. É algo tão profundamente imbuído na cultura que, desde cedo, as crianças aprendem a limitar o gesto de tocar no rosto.

As mulheres japonesas têm esta regra de “não tocar no rosto” como um mandamento rigoroso. As geixas e maikos dão-nos uma ideia do quão complicado é fazer a maquilhagem tradicional japonesa, a que seria usada por senhoras dessa ocupação mas também – em versões semelhantes – pelas damas de boas famílias. O gosto por uma pele branca de porcelana, lisa e imaculada, fez as japonesas apreciarem sempre os cremes de branqueamento do rosto e o hábito de não tocarem na cara. As mães japonesas do século XX habitualmente davam uma pequena palmada na mão das suas filhas adolescentes se as viam a coçar a cara ou apertar uma borbulha, para as desabituar desse gesto.

Quando o desconforto do rosto aumenta, especialmente no Verão, porque o calor e humidade provocam suor, os japoneses usam um lenço de bolso ou uma pequena toalha para absorver a humidade e apaziguar o desconforto, sem fricção na pele. Este modo gentil cria, de modo natural, muito menos contactos entre a mão (dedos) e o rosto directamente. De modo indirecto isso reduz também a quantidade de vírus e bactérias que colonizam o rosto ou que podem causar infecção por via das mucosas ou das vias respiratórias.

Apaziguar o estado interior, ter plena consciência de todos os movimentos do seu corpo, controlar todos os gestos, é uma parte fundamental de várias artes tradicionais japonesas, desde as artes marciais do Bushido até à Cerimónia do Chá, passando pela meditação zen e muitas outras práticas. Há uma certa “familiaridade” entre todas elas, e que também se manifesta de modo prosaico nas coisas do dia a dia, simplesmente porque faz parte da educação das pessoas aquando da sua socialização, primária e secundária.

 

2. As máscaras

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No Japão o uso de máscaras para o rosto é muito mais corriqueiro que no ocidente. Por terras de sol nascente as máscaras podem servir vários propósitos e há tantas variedades que as possibilidades são quase infinitas. Heis algumas das situações em que é perfeitamente banal usar máscaras de rosto no Japão, e o tipo de máscara que se usa:

Cenário A

Homem jovem acorda com ligeiro desconforto na garganta. Ao abrir a janela para iluminar a casa respira o pólen das árvores em frente da casa e espirra imediatamente. Habitualmente sofre de “kafunshou”, ou alergias de Primavera, por isso vai logo buscar as suas máscaras habituais, que tem sempre em casa. São muito confortáveis porque duram o dia inteiro, são feitas de fibras sintéticas, em várias camadas, e o exterior é branco, monocromático. Como a camisa que tem de usar para o trabalho é também branca, esse tom sóbrio é o melhor. Usa-as logo ao sair de casa porque vai apanhar o metro e não quer espirrar para cima das outras pessoas. Se espirrar várias vezes ao longo do dia terá de substituir a máscara provavelmente, por isso leva outra na mala.

Cenário B

Mulher jovem acorda um pouco atrasada de manhã. Depois de se arranjar para sair verifica que já não tem muito tempo para arranjar o cabelo e a maquilhagem, o que a incomoda muito. A empresa onde trabalha, como é regra no Japão, exige código de vestuário e apresentação, por isso tem mesmo de conseguir arranjar-se convenientemente antes de entrar no trabalho. Felizmente o local onde mora fica a meia hora de comboio do trabalho, e durante as primeiras estações o comboio costuma estar pouco cheio. Sabe que é contra o regulamento da companhia de transportes fazer a maquilhagem no comboio, mas desta vez vai ter de o fazer, já que não terá tempo de se arranjar em casa. Não precisa de ficar absolutamente perfeito, já que na empresa pode ir à casa de banho arranjar-se melhor. Mas tem de ser o suficiente pelo menos para colocar maquilhagem nos olhos, já que o resto pode tapar com uma máscara simples de pano branco. Coloca então tudo o que precisa na mala, a máscara no rosto e sai para a rua. Irá com a máscara todo o caminho até à empresa. Ninguém irá estranhar nada porque as pessoas costumam usar máscaras pelos mais variados motivos. Em ocasiões anteriores já usou por ter uma borbulha na face que não queria que vissem.

Cenário C

Rapaz adolescente regressa a casa muito tarde, vindo do centro de explicações. Está muito mais frio do que pensava e nem sequer levou o casaco porque se esqueceu dele na escola. Durante o caminho para casa, que faz de bicicleta, começa a chover. Ao chegar a casa, encharcado, vai logo tomar um banho quente, mas mesmo assim no dia a seguir tem uma constipação. É só um ligeiro corrimento nasal e garganta dorida, mas mesmo assim tosse de vez em quando. Antes de sair de casa verifica se tem febre. Segundo o regulamento da sua escola, se tiver febre superior a 38 graus não pode ir, mas desde que a febre seja baixa não tem dispensa das aulas. Como tem apenas 37 graus, nem sequer se qualifica como febre, e então coloca no bolso duas máscaras azuis baratas, daquelas que se compram na loja de conveniência, e vai colocando uma enquanto sai de casa. Vai ter de usar máscara todo o dia, inclusive nas aulas. Mas até não é mau, porque os professores costumam ser mais benevolentes quando vêm os alunos com máscara. Assumem que estão constipados ou com alergias e que os medicamentos que estão a tomar dão sonolência, por isso não se importam quando eles adormecem nas aulas. Hoje vai aproveitar para dormir nas aulas da manhã.

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Em qualquer uma destas 3 situações, nenhuma das máscaras usadas tinha qualquer efeito na prevenção efectiva de vírus e bactérias. Embora seja possível comprar máscaras com capacidades mais “médicas”, a verdade é que a maioria daquelas que se usam servem apenas para barrar a projecção de gotículas ou poeiras, e sobretudo ocultar a face. A ocultação da face, através do uso da máscara, pode até ser assumida de modo decorativo, através do uso de máscaras bonitas, personalizadas, em sub-culturas de moda como a “lolita” por exemplo. As jovens japonesas, que cultivam o ideal de “aparência de extrema timidez”, escolhem muitas vezes usar máscaras para expor o menos possível o rosto, e consequentemente ocultar a manifestação clara das suas emoções através da expressão facial. Esconder, ocultar, tapar, é um traço apreciado na cultura japonesa, por oposição às ideias ocidentais de mostrar e exibir claramente o rosto e todas as expressões emocionais. Um rosto descoberto na sua totalidade, com uma expressão franca e desinibida, olhos bem abertos, boca que se articula sem vergonha, tudo isso que é visto na cultura ocidental como franqueza e autenticidade, é na cultura japonesa algo desconcertante, que pode inclusivamente tornar o interlocutor (japonês) muito desconfortável.

Por ser algo banal, o uso da máscara no Japão não assusta ninguém, não transmite a sensação de perigo de saúde pública. E também por ser banal, há em abundância nas lojas e toda a gente já tem algumas de reserva em casa. As pessoas podem usar máscaras que eventualmente pouco ou nada eficazes são contra um vírus como o COVID, mas pelo simples facto de as usaram já emitem menos projecção de tosse ou espirros para os outros, e tocam muito menos na face. Essas duas consequências são, por si mesmo, já algo benéfico para o controlo da viralidade desta doença.

 

3.  A entrada da casa

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Na arquitectura tradicional japonesa, do foro doméstico, existe um espaço específico na entrada denominado “genkan”. Este espaço foi tendo um modelo variável ao longo do tempo, mas algumas das suas características essenciais estiveram sempre presentes. O “genkan” fica sempre na entrada da habitação (seja ela familiar ou um alojamento que recebe hóspedes), estando num nível inferior em relação ao resto da habitação (é necessário subir um degrau para lhe aceder). Geralmente, antes do “genkan”, há um pequeno jardim com uma fonte de água, para lavar as mãos e o rosto. No jardim, junto à fonte, ou então na primeira parte do “genkan”, deve sempre haver esse espaço de limpeza e também uma fonte de luz/fogo. Antigamente o elemento luminoso assumia a forma de uma lanterna de pedra mas modernamente pode ser uma luz eléctrica. Nos apartamentos japoneses modernos, se o “genkan” não puder ter uma zona de lavagem, a entrada para o wc pode fazer-se lateralmente, antes de entrar no resto da casa.

O “genkan” tem duas funções essenciais: arrumar o que é da rua (e que se pega nesse lugar antes de sair e ali se guarda ao regressar), e arrumar os sapatos. Os movimentos das pessoas no “genkan” são executados de modo que o que é “da rua” nunca passe para o patamar de cima (acima do degrau), e o que é “de casa” nunca passe para o patamar de baixo. Os sapatos por exemplo, se são os da rua, não se tocam com as mãos, e os chinelos de casa não se descem. Esta maneira muito prática de dividir o que é de dentro e de fora, apurada ao longo dos séculos, é a disciplina mais eficaz para separar os germes exteriores do ambiente higienizado do interior. Se um apartamento tem menos espaço do que uma casa tradicional, o “genkan” pode ter menos espaço de arrumação para malas, casacos e sapatos, mas as funções são as mesmas.

Na fotografia acima, do lado direito, é possível ver uma sapateira. Junto à sapateira há um estrado de madeira no chão. Este estrado está apenas a poucos centímetros do chão de pedra, mas está efectivamente separado deste. Quando uma pessoa entra na casa, com chão de pedra, deverá descalçar os sapatos voltado para a sapateira, sem poisar os sapatos no estrado de maneira. O estrado de madeira serve para a pessoa estar de meias ou de pés nus, depois de se descalçar, enquanto coloca os seus sapatos nas prateleiras. A partir do estrado de madeira, a pessoa que acabou de entrar em casa passa para o degrau superior, onde calça os chinelos. Os chinelos já estão ali alinhados à espera da próxima pessoa que vai entrar.

No móvel que se pode ver em frente à sapateira, no lado esquerdo dessa mesma foto, podem guardar-se casacos, chapéus, e malas. Todas essas coisas devem poisar-se ali antes de tirar os sapatos e antes de entrar em casa. Normalmente coisas como loção de creme para mãos, um pequeno espelho, as chaves de casa, etc, também são deixadas nesse espaço.

A fonte, que na arquitectura tradicional fica junto à entrada e nos apartamentos modernos é substituída pela entrada lateral para um wc, complementa este modelo perfeito de higienização profilática, já que se lavam as mãos antes de entrar no lar propriamente dito.

 

4. Percepção de espaço pessoal, distanciamento, etiqueta

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Uma vez estando no Japão, e nas mais variadas situações, em contexto de interacção social, assumimos uma percepção de espaço pessoal que é muito diferente daquela que é mais comum no mundo ocidental, e especialmente nas sociedades de matriz latina, como é o caso de Portugal.

Como se pode ver nas fotos acima, que são representações realistas de eventos quotidianos, cada indivíduo tem uma “bolha” de espaço pessoal que é muito maior do que seria, por exemplo, em Portugal. Assim, esse espaço inviolável, não é penetrado levianamente. Possivelmente, apenas entre os membros da família próxima a “bolha” pode ser menor ou perto de zero. Mas, de modo geral, não há toque directo e nem sequer proximidade entre as pessoas. O espaço que está à volta de uma pessoa é variável conforme o tipo de situação, mas nunca é menos de 1m (do centro do corpo).

Quando os amigos se encontram para tomar um café e conversar, o amigo ou amiga que já se encontra no local cumprimenta com um aceno de mão junto ao corpo (como se vê em cima), ou com um pequeno aceno de cabeça (já que são amigos próximos), mas não com beijos, abraços ou “passou-bem”. Quando os amigos conversam no café estão sentados a uma distância de aproximadamente um metro, podendo estar directamente frente-a-frente ou ligeiramente de lado. Não é educado inclinar-se ou tocar no outro. Quando é preciso dar alguma coisa, seja para pagamento numa loja ou oferta de um presente, há um local para o fazer. No caso das lojas há um pequeno tabuleiro junto à caixa onde se coloca o dinheiro, este não é entregue em mão ao funcionário que está na caixa. Quando uma pessoa quer dar a outra o seu cartão com o cargo que exerce e os contactos, apresenta o cartão voltado para quem o está a receber, e toca-lhe o menos possível. Mantém os seus dedos nos dois cantos do cartão mais próximos de si, de modo que a outra pessoa peque o cartão pelos dois cantos que lhe estão mais próximos, sem que tenha de tocar onde o outro tocou. O pormenor poderá parecer excessivo numa descrição como esta, mas na realidade do dia-a-dia, estes gestos estão já muito naturalizados, e quando uma pessoa vive no Japão absorve estes comportamentos com relativa rapidez, verificando que são muito convenientes.

A saudação com vénia, que serve para “olá” e também para “adeus, até breve”, e que se pode ver acima entre duas senhoras junto à entrada de uma estação de transportes, também demonstram apreço e respeito, e uma verdadeira ligação entre as pessoas, sem que seja preciso qualquer tipo de contacto físico directo. Estas práticas conduzem a uma menor probabilidade de passagem de vírus e bactérias entre as pessoas, sendo esse um benefício indirecto mas muito bem vindo neste momento.

 

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Na data em que estamos a escrever este artigo, o Japão está também a sofrer os efeitos desta pandemia, como todas as outras nações, mas efectivamente demonstrou até à data um resultado estatístico muito abaixo daquilo que seria de prever dada a sua proximidade com a China e a Coreia, ambas gravemente afectadas. Apesar de ter uma população muito envelhecida e cidades onde a proximidade de pessoas em transportes públicos e locais de trabalho é inevitável, o Japão talvez esteja a usar a seu favor alguns dos elementos acima apresentados, pelo que a sua importância não deve ser subestimada.

Desejamos a todos os nossos leitores que se encontrem seguros, saudáveis e bem, e esperamos que possam olhar para o futuro com optimismo e esperança. Vamos procurar ajustar os conteúdos deste blogue às necessidades dos nossos tempos, e estamos também a publicar regularmente no nosso facebook .

 

 

 

Viagem para as ilhas Goto

Foi hoje publicado no canal de Youtube associado a este Projecto Cultural e Pedagógico o primeiro vídeo (vlog) sobre o tour nas ilhas Goto. Veja o vídeo também aqui:

Dando seguimento a este post no nosso blog , no qual apresentámos a empresa japonesa Wondertrunk & Co que estava a receber da nossa parte o serviço de consultoria especializada,  podemos agora dizer-vos mais sobre os tours culturais e percursos de peregrinação na região de Nagasaki e nas ilhas Goto.

A equipa da Wondertrunk a cargo deste projecto recebe apoios tanto de privados como do Estado japonês, e nomeadamente da Prefeitura de Nagasaki, para vir a criar tours que contribuam para o desenvolvimento sustentável da região, com ênfase no património cultural local e relação próxima com as comunidades que ali habitam. Por esse motivo, e considerando que nos identificamos bastante com esse ponto de vista, aliámos forças e estamos desde 2017 a colaborar em regime de consultoria com a Wondertrunk, num acordo que não passa pelos fins lucrativos. Os nossos serviços são prestados em voluntariado, com o espírito de trabalho em equipa, e neste momento estendemos também os serviços de consultoria a representantes do ramo da animação turística que estão sediados no Japão, Estados Unidos, e Itália. Os representantes dessas empresas, os quais estiveram presentes neste tour de teste em Goto, aparecem no vídeo acima.

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Foto em cima: representantes da Wondertrunk & Co e dos seus clientes internacionais, gerente do restaurante Tao Flat (o restaurante no glamping site da Nordisk Village), representante da agência de tours italiana, e eu própria. Local da Foto: glamping site Nordisk Village, na ilha Fukue (Goto).

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Foto em cima: num dos percursos em bus, esclarecendo pormenores do tour com o representante da agência italiana.

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Foto em cima: no final do tour a equipa da Wondertrunk & Co promoveu um encontro com os residentes de Fukue, onde falámos sobre como desenvolver uma programação cultural e turística na região que os integre e respeite; e no final dessa sessão alguns dos convidados especiais posaram para esta foto. Podem ver aqui, para além dos que já foram apresentados no vídeo e nas fotos anteriores, também outras pessoas que escolheram Goto para viver embora não fossem originalmente dali. O input destas pessoas ajuda-nos muito a desenvolver tours que tenham interesse para os japoneses de outras partes do Japão e para o público internacional.

Em Portugal, mantemos o exclusivo da criação de programação cultural, itinerários de viagem temática e caminhos de peregrinação em Nagasaki/Goto, uma vez que a Wondertrunk & Co é uma empresa japonesa que regista internacionalmente os direitos dos seus tours. Por isso, ao abrigo da colaboração com a Wondertrunk, e mediante a negociação das contrapartidas pela prestação de serviço de consultoria especializada e suporte académico, retemos o direito de apresentação de tours com esta temática em Portugal, o que é supervisionado pela própria Prefeitura de Nagasaki/Estado Japonês.

No caso de Portugal, não se aplicam os financiamentos do Japão, e o Estado Português também não providencia apoio para a promoção da herança portuguesa no Japão, pelo que estes tours são oferecidos ao público geral mediante pagamento dos seus custos de execução.

Estamos disponíveis para esclarecer qualquer pedido por email: umlongoveraonojapao@gmail.com

(Devido ao facto de nos encontrarmos no Japão até ao fim de Outubro de 2019, em tours e trabalho, a resposta aos emails poderá ser feita apenas a partir de Novembro, pelo que pedimos desculpa pelo incómodo.)

 

 

 

 

Galos de Barcelos nas ruas de Nagasaki

(siga o link em baixo para ver o vídeo; ou veja no nosso canal youtube )

O tema “Legado da presença portuguesa no Japão” é um dos temas fundamentais deste projecto cultural e pedagógico desde a sua primeira iniciativa (a exposição de fotografia e vídeo “Um longo Verão no Japão”, em 2013), e foi já objecto de uma instalação na Casa das Artes Bissaya Barreto (como podem ver AQUI ). Mas em cada nova temporada de trabalho de campo há naturalmente mais dados, novas perspectivas, e uma melhor compreensão dos fenómenos em curso. Assim, partilhamos aqui neste vídeo – numa perspectiva de divulgação científica acessível ao público geral – um dos lugares de Nagasaki que se configurou recentemente como um pólo central nesta pesquisa. Para além do interesse académico, parece-nos que estes lugares têm também um grande potencial para contribuir para a formação, nomeadamente no âmbito dos Estudos Japoneses, e por isso estamos receptivos ao agendamento de visitas guiadas e outras oportunidades de visita orientada. Aficionados da história dos Descobrimentos Portugueses e da Expansão, fãs do Oriente, e curiosos sobre o Japão em geral, poderão assim fazer um périplo pelo país-do-sol-nascente que incluam estes e outros lugares (para além de Nagasaki), devidamente enquadrados em contexto histórico e com uma lógica de experiência culturalmente imersiva, isto é, fora do circuito comercial das agências de viagens e dando preferência à ligação com as comunidades locais. Aguardamos o vosso contacto por email para umlongoveraonojapao@gmail.com, para planeamento e consultoria especializada, com efeito no ano 2020.

 

 

 

Aprender com a prática

As experiências de turismo imersivo distinguem-se do “turismo” porque dão primazia à aprendizagem prática em contexto de imersão. Estamos acompanhados de japoneses e é através deles e em actividades integrativas que temos a experiência do Japão.

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Para além dessa missão, sempre presente quando estamos de visita ao país do sol nascente, também temos naturalmente de lidar com as circunstâncias habituais de estar sujeito ao clima. Assim, num dia particularmente chuvoso, e no qual foi necessário activar o “plano B”, visitámos um dos nossos recantos preferidos de Kyoto.

Neste espaço, que congrega vários artesãos locais e proporciona workshops guiados por especialistas, tivemos a oportunidade de usufruir de uma hora de formação sobre a história e usos dos incensos e outras preparações herbais na cultura milenar de Kyoto, e também nos foi possível praticar fazer essas mesmas artes sob uma amigável orientação.

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O resultado? Saquinhos de seda de kimono cujo interior guarda misturas aromáticas e medicinais, e que poderão ser usados entre 18 e 24 meses, tanto para conservar roupas e outros têxteis como para dar um bom odor a divisões domésticas.

Com o nosso programa de visita ao Japão e orientação na perspectiva do turismo imersivo, foi possível realizar este workshop sem marcação prévia (decidimos no próprio dia), por cerca de 20 euros por pessoa, sem tempo de espera, tendo ficado com o resultado final do mesmo para nosso “souvenir”.

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Oportunidade Primavera 2020

Para quem sonha viajar ao Japão e ver o despontar das flores de Primavera, temos uma boa notícia!

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Para grupos organizados autonomamente (que nos contactem enquanto grupo/escola/família/associação/amigos/etc) poderemos oferecer de modo totalmente gratuito um serviço de consultoria para a criação de itinerário de viagem, na condição de nos apresentarem comprovativo de aquisição de voo abaixo indicado (ou com três dias de flexibilidade para cada data) e se aceitarem os termos de realização das experiências de turismo imersivo e demais parcerias que temos no Japão através dos nossos serviços de consultoria.

O orçamento para a realização da totalidade da experiência, incluindo portanto o alojamento, o transporte, as visitas e o acompanhamento permanente, bem como o acesso às experiências exclusivas deste projecto cultural e pedagógico, está disponível a partir de mil euros por pessoa (excepto se forem solicitadas condições especiais de alojamento, ou outras).

Como podem confirmar pela consulta das tarifas de voo internacional entre Portugal e o Japão, a estimativa de despesa para a totalidade da viagem resume-se a pouco mais de 1500 euros por pessoa, numa viagem de 15 dias!

Estas condições só estão disponíveis até 30 de Outubro de 2019. *

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* Este Projecto Cultural e Pedagógico e a sua autora não vendem viagens nem serviços de turismo, não retêm comissão nem têm retorno dos serviços ou bens sugeridos aquando do atendimento em consultoria. Para mais informações acerca da natureza dos programas culturais e pedagógicos que desenvolvemos no Japão e em Portugal, por favor contacte umlongoveraonojapao@gmail.com.

 

Um recanto fora do tempo

Murin-an, em Kyoto, é um jardim mas também é uma casa no meio desse jardim, é o espaço da propriedade e tudo o que alberga, mas não seria exagero dizer que é também o espírito de ancestralidade japonesa cristalizada. A belíssima habitação, que data de 1848, é apresentada pelos anfitriões, versados em artes tradicionais como a Cerimónia do Chá, a Arte dos Jardins, e o Kitsuke (o saber vestir aplicado ao kimono). O espaço é gerido pelo governo municipal de Kyoto e existe um programa de actividades culturais muito selecto ao longo do ano. As vagas são limitadas e os participantes têm de se candidatar com vários meses de antecedência, sendo ainda assim escrutinados minuciosamente. O espaço pretende proporcionar o verdadeiro enaltecimento da alma, o aumento da nobreza do saber e do refinamento. Não é o Murin-an que precisa dos visitantes, somos nós que precisamos dele. Ali, a natureza avassaladora do jardim preenche tudo: a vista, o espaço, a mente. E a escala redimensiona-se dentro e fora do ser. O ego desaparece, algures entre um golo de chá ou uma conversa de voz suave sobre o modo de atar o obi.

A partir de 2020, o Murin-an estará acessível a quem nos procurar para serviços de consultoria para planeamento de viagem, na qualidade de uma das nossas experiências de Turismo Imersivo. Apresentamos aqui algumas das fotografias que nos foram gentilmente cedidas.

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Os rostos e os rastos que (n)os ligam

A grande-história e a pequena-história têm formas muito interessante de se relacionarem, e muitas vezes é um singelo “fio” que puxa pela meada, até percebermos quantas pessoas e lugares diferentes estão envolvidos. Este será por isso um post invulgarmente longo, e também invulgarmente pessoal, feito de gratidão e de maravilhamento. Pois, também na produção da ciência (conhecimento) há a felicidade, de vez em quando, de sentir em primeira mão essa conexão entre as vontades de pessoas espantosas.

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Num dos nossos Clubes de Leituras do Oriente (o de Novembro de 2017, que podem revisitar aqui) tratámos o livro “O Samurai”, de Shusaku Endo. A obra foi escolhida depois de, numa edição anterior do Clube, termos trabalhado o livro “Silêncio”, que foi escrito antes de “O Samurai” e que, apesar de ficar famoso em Portugal depois do filme, continua pouco compreendido no geral. No livro “O Samurai”, a personagem principal é modelada a partir dos eventos da vida de uma personagem histórica real: Hasekura Tsunenaga. Este vassalo do Senhor Feudal Date Masamune (o daimyou de Sendai) e toda a sua comitiva estiveram efectivamente envolvidos numa daquelas viagens épicas da história da humanidade. E, ao prepararmos os conteúdos para essa sessão, um outro livro e um outro conjunto de pessoas veio ao encontro deste Projecto Cultural e Pedagógico também. O que é espantoso, e ainda mais por ser autêntico e actual, é que esse conjunto de pessoas são indivíduos de hoje, numa terra a umas meras 5 horas de carro, e que são directa e geneticamente relacionados com os eventos que inspiraram Sgusaku Endo a escrever “O Samurai”. Aliás, se o escritor tivesse tido disto conhecimento creio que teria escrito mais um livro…

Quando a “Embaixada Keichou” finalmente chegou a terras de Espanha (para se informar da viagem completa consulte aqui) , em Outubro de 1614, foi numa pequena povoação chamada Coria del Rio que estacionaram durante alguns dias, antes de uma entrada formal na cidade de Sevilha. E é precisamente em Coria del Rio que, nos anos 80 do século XX, começa a tomar forma um movimento de associativismo cívico – primeiro muito informal e depois com cada vez mais apoios do município, entre todos os habitantes que têm no seu nome de família o apelido “Japón”. Sim, com efeito a pequena localidade que dava entrada aos meandros do rio (via obrigatória para chegar a Sevilha), desenvolveu-se durante 400 anos sem perder a ligação àquela comitiva: os seus descendentes sempre mantiveram o sobrenome “Japón”.

A Associação que entretanto de formou estima que existam mais de 1000 pessoas com “Japón” até ao 3º nível de parentesco, e existem registadas mais de 500 com “Japón” em nome próprio ou num dos pais. A abundância de pessoas que têm “Japón” da parte do pai e também da parte da mãe comprova ainda mais o facto de, em Coria del Rio, existir uma circunstância peculiar de ascendência japonesa que se foi mantendo. Do ponto de vista da identidade cultural dos habitantes de Coria del Rio isso também é notório, desde já porque a sede de governo local tem a bandeira do Japão hasteada, e também porque há muitos outros marcadores do espaço público e eventos culturais que remetem para o Japão. Mas tudo isto foi um processo, longo aliás, já que dura há pelo menos 30 anos de forma organizada. E, mais recentemente, em 2014, foi realizado um projecto artístico, focado na fotografia/retrato, para documentar todas as pessoas com o apelido “Japón”.

Essa exposição fotográfica poderia ter ficado apenas em Coria del Rio, ou quanto muito ter chegado em forma de relato ao Japão, já que há muitos japoneses que visitam a localidade espanhola devido a esta história que os liga. Mas, também neste caso, a sinergia não cessou. A energia desta viagem épica do século XVII ainda se sente no modo como os encontros se multiplicam e as iniciativas se sucedem.

Na bela cidade alentejana de Vila Viçosa pode também sentir-se o impacto da passagem de uma embaixada japonesa daquele período histórico, que aliás precedeu a de Kenchou a Espanha. No caso da Embaixada Tenshou – a que passou por Portugal – as circunstâncias foram muito diferentes, e não houve lugar a descendência que se saiba. Contudo, tal como no caso de Coria del Rio, estas embaixadas tiveram um grande impacto e deixaram vestígios documentais que, já no século XX/XXI, vieram a ser “redescobertos” por intelectuais interessados e de visão larga. Assim, os livros produzidos, habilmente redigidos e divulgados junto da população em geral, permitem aos leitores de hoje, e sobretudo aos habitantes destas localidades, ter uma impressão directa do papel que o lugar onde vivem representou na chamada “Primeira Globalização”.

A exposição de fotografias de Coria del Rio chegou ontem a Vila Viçosa, e foi inaugurada com um evento muitíssimo bem organizado e extraordinariamente relevante nas relações entre a Península Ibérica e o Japão. A pequena sala de rés-do-chão do Cine-Teatro Florbela Espanca em Vila Viçosa foi efectivamente o lugar onde se realizou o evento cultural, pedagógico e académico mais significativo do último ano no que diz respeito às relações de diplomacia informal ibero-nipónicas, embora a humildade dos seus protagonistas e a singeleza dos seus organizadores tenham possivelmente distraído o público desse facto.

 

A Exposição “El r@stro del samurái” poderá visitar-se todos os dias da semana e do fim-de-semana, das 14h às 18h, gratuitamente. O catálogo da exposição está também disponível para venda, tendo o PVP de 15 euros, e os fundos revertem para a Associação de habitantes de Coria del Rio com o sobrenome Japón, sendo esses fundos actualmente usados para financiar investigação e promover eventos de interculturalidade.

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Tiago Salgueiro, autor do livro “Do Japão para o Alentejo”, sobre a passagem da Embaixada Tenshou por Vila Viçosa, aqui a apresentar a documentação do arquivo da Fundação Casa de Bragança.

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Professor Doutor Juan Manuel Suárez Japón, membro de grande relevo na Associação Hasekura, aqui a apresentar as circunstâncias únicas de Coria del Rio no que diz respeito à sua relação com o Japão e os japoneses. Com efeito, devido às publicações desta Associação, as quais têm sido feitas em modo bilingue (também japonês), verificou-se um aumento do fluxo de visitantes japoneses, algo que estreitou significativamente as relações internacionais da localidade e trouxe grande satisfação aos “japónes” de Coria.

Convidamos todos os seguidores deste blog a conhecer esta exposição e também a realizar a visita ao Paço Ducal de Vila Viçosa, seguindo os passos da embaixada japonesa que o visitou há quase meio milénio. O estabelecimento de uma geminação entre o município de Coria del Rio e o de Vila Viçosa fazem prever um futuro brilhante para a cooperação entre estas duas localidades no que diz respeito à gestão do património cultural relacionado com o Japão – que é o factor que mais as aproxima – pelo que as relações ibero-nipónicas podem ter aqui um novo fôlego. Nós esperamos que sim, e teremos muito gosto em documentar as próximas iniciativas!

(Para efeitos jornalísticos, se desejar aceder a mais fotos e vídeos deste evento, queira por favor contactar umlongoveraonojapao@gmail.com)

 

 

Património Cultural da Humanidade: rituais de plantação do arroz no Sumiyoshi Shinji

ritual da transplantacao do arroz no festival sumiyoshi shinji osaka_dentro do santurario

Continuamos a criar reportagens de locais e eventos no Japão, de modo a poder ajudar os nossos leitores a conhecer o país do sol nascente através destes artigos, ou mesmo ajudá-los a planear a sua viagem ao Japão. Conhecendo melhor as características da sociedade, calendário de eventos e mesmo aspectos climáticos, cremos que poderá fazer escolhas mais acertadas quanto à melhor época e melhor itinerário para visitar o Japão. Acima de tudo, poderá escolher com pleno conhecimento, e planear de acordo com as suas preferências e prioridades.

Procuramos constantemente corresponder às preferências dos leitores, produzindo sempre artigos com o máximo rigor no que respeita à informação e à explicação da cultura japonesa. Nunca perdemos de vista que a nossa prioridade é o desenvolvimento dos Estudos Japoneses através da fruição cultural e de iniciativas pedagógicas, por isso há sempre uma forte componente educativa em tudo o que criamos.

Para além disso, procurámos recentemente apurar quais as preferências dos leitores, e mais exactamente qual o tema sobre o qual queriam saber mais. Uma sondagem na nossa página de facebook informou-nos que queriam ler mais artigos sobre festivais tradicionais, por isso concentrámos a produção de artigos de Janeiro e Fevereiro nesse tema. O artigo mais recente, publicado como sempre no nosso parceiro JapanTravel, apresenta um “matsuri” muito especial: o Sumiyoshi de Osaka.

Clique neste link para ler o artigo completo.

Plano de Viagem para Agosto

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Costuma dizer-se “a pedido de várias famílias” não é verdade? Pois bem, durante o ano de 2018 procurámos ajudar quem quer viajar ao Japão, fazendo conferências públicas de acesso livre, directos na nossa página de facebook e escrevendo muitos artigos e dicas no nosso parceiro, o site Japantravel. Mas as mensagens que nos chegavam continuavam a apontar para uma necessidade: um plano low cost, sem comprometer a autenticidade da experiência e o acompanhamento de um guia.

Por isso, para responder ao tal pedido, criámos um plano que respeita os 3 critérios mais solicitados: ser nas férias de Verão, ter um orçamento abaixo dos 2000 euros, e caber todinho em duas semanas.

O documento que apresenta o Plano de Viagem, com e sem extensão, está disponível aqui:Plano de Viagem low cost Japão para Agosto-Setembro de 2019 _ condicoes e itinerario_actualizado a 20 de abril de 2019  |Link desactivado|

Responderemos a todos os pedidos de esclarecimento que nos chegarem por email: umlongoveraonojapao@gmail.com, mas apenas por essa via.

Esta é a minha prenda para todos os que nos seguem, visitam este blog, subscrevem o canal youtube e acompanham a página no Facebook. Espero que tirem o melhor partido desta prenda e que seja desta que se cumpre o mote original (criado nos idos de 2013…): “Conheça o Projecto, Faça a Viagem!”

~ Inês Matos ~