Edição especial em Lisboa

Vamos ter uma edição especial do Clube de Leituras o Oriente! Especial porque é em Lisboa e porque é uma sessão dupla, dedicada ao escritor japonês Shusaku Endo. Os livros tratados nesta sessão serão Silêncio e O Samurai.

Oradores: Inês Carvalho Matos e Pedro Teixeira da Mota

Os participantes são convidados a ler os livros antes da sessão, embora não seja um pré-requisito para desfrutarem da mesma.

A participação requer pré-inscrição por email, através de umlongoveraonojapao@gmail.com

20 de Janeiro de 2018 a partir das 15:30h
Biblioteca de Estudos Espirituais e Orientais
Rua da Esperança, 103, r/c
1200-656 Lisboa

 

Programa Janeiro-Março 2018

No ano de 2017 mudámos de “casa”, continuámos com alunos fenomenais e colaborações muito enriquecedoras, agora já olhamos para 2018 e para mais um trimestre do nosso programa de Estudos Japoneses. A partir de hoje, 23 de Novembro, abrimos as inscrições para o trimestre Janeiro-Março, no qual são bem vindos novos alunos!

O local de todas as sessões abaixo indicadas é a sala “A”, piso 1, no Instituto Universitário Justiça e Paz, no pólo 1 da Universidade de Coimbra.

Informação de preços e modo de pagamento depois do calendário.

Aviso: sessões práticas de língua japonesa de nível avançado (japonês 5 e acima) não estão incluídas neste calendário, por favor consulte o post de dia 15 de Dezembro para saber mais.

Calendário:

12 de Janeiro (sexta-feira) 18:30h

Conferência Temática

Tsubaki – As Camélias e o seu lugar na relação entre Portugal e o Japão

Convidada: Dra. Eduarda Paz

13 de Janeiro (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

19 de Janeiro (sexta-feira) 18:30h

Workshop

Origami funcional: objectos para usar e embelezar

Convidada: Arq. Ana Maio / Índigo Paper Lab.

20 de Janeiro (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

26 de Janeiro (sexta-feira) a partir das 18h 

Língua Japonesa  (excecionalmente numa sexta-feira)

27 de Janeiro (sábado) 16h

Conferência Temática

O papel japonês: história, propriedades, uso na vida e nas artes

Convidada: Artista Plástica Sra. Mami Higuchi

2 de Fevereiro (sexta-feira) 18:30h

Workshop

Sumi-e

Professora e Artista Plástica Paula Walker / Walker in Art

(NOTA: neste calendário as próximas sessões deste workshop – sempre com temas diferentes dentro do estilo sumi-e – aparecerão doravante designadas apenas como “Sumi-e”)

3 de Fevereiro (sábado) 16h

Clube de Leituras do Oriente*

Livro: Pearl Harbor, Lisboa, Tokyo

Autor: Morishima Morito

Publicação: 2017 Ad Litteram (editor Paulo Ramos), disponível em Portugal

*  A sessão é aberta ao público geral, sendo gratuita para quem queira assistir. Contudo, apenas os alunos inscritos no programa integral receberão os materiais pedagógicos desta sessão. Se deseja comparecer na sessão recomenda-se a leitura do livro antes da mesma. Estas condições são válidas também para a próxima sessão deste Clube.

9 de Fevereiro (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

10 de Fevereiro (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

16 de Fevereiro (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

17 de Fevereiro (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

23 de Fevereiro (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

24 de Fevereiro (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

2 de Março (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

3 de Março (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

4 de Março (domingo) 10.30h

Visita de Estudo: o Japão no nosso Museu

Actividade que requer pré-inscrição até 3 dias úteis antes da sua realização. Mais informações por email ou através da página de facebook deste programa pedagógico.

Esta sessão irá realizar-se no Museu Nacional Machado de Castro. O bilhete de entrada, se aplicado, depende do preçário do Museu e nenhuma parte do mesmo reverte para este programa pedagógico. A organização desta visita de estudo não é uma colaboração com o referido Museu, tratando-se de uma acção pedagógica independente e exclusiva deste projecto cultural e pedagógico.

9 de Março (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

10 de Março (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

16 de Março (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

17 de Março (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

23 de Março (sexta-feira) 18:30h

Sumi-e

24 de Março (sábado) a partir das 15:30h

Língua Japonesa

30 de Março (sexta-feira) 18:30h

Demonstração

Bonsai no Japão e em Portugal

Convidado: Kensho Bonsai Studio

31 de Março (sábado) 16h

Clube de Leituras do Oriente

Livro a designar

 

Condições Gerais de Participação:

Por favor consulte todo o texto para seleccionar o melhor para si. Poderá inscrever-se apenas num módulo (por exemplo no módulo de língua japonesa), ou em mais de um módulo (por exemplo em língua japonesa e em sumi-e). Poderá também inscrever-se no programa integral, o que lhe fica mais em conta.

Tenha em consideração que os preços de inscrição representam despesas que o nosso projecto pedagógico tem de fazer à partida, tais como o aluguer de sala, o pagamento aos convidados, as despesas com a divulgação, etc, pelo que estes valores não poderão ser reembolsados em caso de desistência.

Inscrição em todo o trimestre, incluindo as aulas de língua japonesa, as aulas de pintura sumi-e, a assistência às conferências temáticas e aos workshops aqui discriminados, o Clube de Leituras do Oriente (com livro ou PDF) e o convite para os eventos paralelos, degustações gastronómicas, encontros com alunos japoneses, etc: 250 euros em pré-pagamento integral até 15 de Dezembro; 290 euros em pré-pagamento integral após essa data.

Caso seja um aluno do ensino superior com dificuldades económicas ou um adulto desempregado, por favor contacte-nos por email para podermos ajustar o modelo de pagamento faseado ao seu caso.

As inscrições são registadas após confirmação de pagamento e o mesmo só pode ser feito directamente ou por transferência bancária. Para solicitar o NIB queira por favor enviar email para umlongoveraonojapao@gmail.com com o assunto “inscrição 2018”.

Aulas de Língua Japonesa

Cada aula tem a duração de 90 minutos e um máximo de 8 alunos por turma.

Para frequentar as aulas necessita de fazer um diagnóstico e um plano pedagógico personalizado. Ambos são realizados presencialmente, em data a agendar, de modo gratuito e não vinculativo.

O valor a pagar pela inscrição no módulo de língua japonesa inclui todos os materiais pedagógicos usados em aula e também os materiais suplementares. Valor do módulo: 100 euros, correspondente a 10 aulas. Os alunos que frequentaram o trimestre passado têm um desconto de 10% quando se inscrevem no módulo inteiro até 15 de Dezembro.

Lugares disponíveis: 4 vagas na turma de japonês básico (não é iniciação), 6 vagas na turma de japonês avançado.

Existe a possibilidade de abrir uma turma de iniciação e/ou uma turma de intermédio caso se registe o número mínimo de 3 inscrições para cada nível.

Aulas de Pintura Tradicional Sumi-e

Cada aula tem a duração de 2h. As aulas terão uma organização temática.

O Módulo de sumi-e deste trimestre incluí 8 sessões, tendo um valor de inscrição de 120 euros (corresponde a 15 euros por sessão).

Os alunos que já frequentaram as aulas de sumi-e no trimestre Setembro-Dezembro ou qualquer uma das sessões de Sumi-e anteriormente ministradas pela Professora Paula Walker através do nosso programa pedagógico têm desconto de 10% (total: 108 euros / 8 sessões) quando a inscrição e o pagamento são anteriores a 15 de Dezembro.

A inscrição no módulo de Sumi-e incluí o uso de todos os materiais indispensáveis à prática, deste as tintas ao papel, passando pelos materiais de preparação do espaço de trabalho.

Caso o aluno deseje adquirir o seu pincel pessoal (recomendado pela professora) poderá ser feita a encomenda a um fornecedor da especialidade através da professora e sem custos adicionais (o aluno paga o pincel pelo preço do fornecedor).

Conferências Temáticas

Uma conferência temática é uma apresentação expositiva sem componente prática, com a duração aproximada de 2h.

Para assistir a uma destas conferências solicitamos a contribuição de 2 euros por pessoa, sem obrigatoriedade de reserva de lugar mas dependente da lotação da sala.

Aulas práticas

São aulas práticas as sessões de formação que exigem o uso de materiais ou equipamentos por parte dos alunos (incluídos no valor de inscrição).

São também aulas práticas todo o tipo de Workshops ou Demonstrações. Excluem-se desta categoria as aulas práticas agrupadas sobre uma designação específica (como por exemplo o módulo de sumi-e) para as quais os professores convidados tenham estabelecido outros preços. Têm a duração aproximada de 2h.

Para participar numa destas sessões solicitamos a contribuição de 10 euros por pessoa, havendo a necessidade de reserva de lugar até 3 dias úteis antes da mesma.

 

Clube de Leituras do Oriente: O Samurai

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25 de Novembro de 2017, às 16h

Livro: O Samurai, de Shusaku Endo

O Clube de Leituras do Oriente é uma sessão aberta a toda a comunidade de alunos e de público geral, no âmbito do programa de Estudos Japoneses do Projecto Cultural e Pedagógico “Um longo Verão no Japão”. A entrada é gratuita, dependendo da existência de lugares disponíveis na sala, mas não incluí o livro ou a sua reprodução.

Para fazer parte do nosso grupo de Estudos Japoneses e ter acesso aos materiais pedagógicos, entre eles os livros do Clube de Leituras, poderá solicitar inscrição por email: umlongoveraonojapao@gmail.com

Local: Sala “A”, 1º piso, Instituto Universitário Justiça e Paz, Universidade de Coimbra

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Nesta sessão serão apresentadas informações sobre o autor, a sua obra em geral, o contexto histórico no qual se desenvolve a história ficcional (mas inspirada em factos verídicos), e serão também apresentados outros elementos relevantes para o entendimento da obra. Para esta primeira parte da sessão, de natureza, expositiva, foi elaborada uma apresentação, a qual pode ser consultada em formato PDF aqui: clube de leituras do oriente – o samurai – novembro 2017 – suporte de apresentacao

Inscrições 2017/18

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As inscrições para o ano lectivo 2017/18 encontram-se abertas. As aulas começarão de hoje a um mês, no dia 8 de Setembro.

O programa de Estudos Japoneses poderá ser frequentado por alunos maiores de 16 anos (sem limite de idade), tanto na sua totalidade como apenas numa ou mais disciplinas. A inscrição na totalidade do programa, por períodos trimestrais, tem vantagens para o aluno, nomeadamente por lhe dar desconto. A inscrição em aulas individuais também é possível, estando sujeita à lotação de cada aula/evento e até 24h antes do mesmo.

No primeiro trimestre do ano civil de 2018 iniciarão novas disciplinas que exigem a frequência das disciplinas leccionadas entre Setembro e Dezembro de 2018, pelo que os alunos que não se inscreverem neste primeiro período poderão não ter todas as opções disponíveis no restante ano lectivo.

Recordamos que este é o único plano pedagógico 100% dedicado aos Estudos Japoneses em Portugal, e que tem o reconhecimento da Embaixada do Japão em Portugal.

Para mais informações por favor escreva para umlongoveraonojapao@gmail.com ou na página de facebook. 

Memórias de Morishima Morito

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Foto de Paulo Ramos, Editor.

 

“Pearl Harbor, Lisboa, Tóquio – memórias de um diplomata” é um livro extremamente importante para o estudo das relações internacionais do Jão no período imediatamente anterior e durante a II Guerra Mundial, e consiste na compilação de escritos de um dos diplomatas japoneses mais lúcidos deste período. A somar-se a isso, é o livro que vem definitivamente contribuir para os Estudos Japoneses em Portugal no campo da História Contemporânea, já que Morishima Morito foi também embaixador do Japão em Lisboa entre Setembro de 1942 e o início de 1946.

Esta notável tradução, feita por Yuko Kase, foi editada em Portugal por Paulo Ramos e Laurinda Brandão, sendo um exemplo de perseverança e resiliência, pois (à semelhança de tantos outros livros) o mercado editorial de grande escala não o recebeu. O facto de este livro existir deve-se então à força de vontade da tradutora e dos editores, e a alguns apoios angariados, entre eles o da empresa Toshiba. Pode portanto dizer-se que a existência deste livro reflecte a comunidade nipo-portuguesa e o tecido social e cultural que estes indivíduos têm construído ao longo de mais de meio século.

Como crítica negativa, porventura poderá apontar-se a ausência de notas e referências complementares ao corpo do texto, mas também é certo que o livro não se assume como uma edição crítica. Se disponíveis, estes elementos beneficiariam o entendimento dos episódios, personagens e termos tratados nas memórias, sobretudo na primeira parte, sobre a relação entre o Japão e os Estados Unidos da América.

Apesar disso, este é um livro de fácil leitura, pois o estilo de escrita do próprio Morishima é escorreito, sem contudo cair em simplificações dadas à parcialidade, e ao mesmo tempo evitando a sobre-dosagem de descrições técnicas. O autor revela várias propostas concretas que tanto ele como outros foram apresentando ao governo do seu país e que, ao serem recusadas, levaram à crispação das relações do Japão com a Europa e a América. Com efeito, este é um livro que não poupa críticas à falta de cuidado com que se caminhou para uma situação sem retorno.

O último capítulo do livro, dedicado a uma visão panorâmica sobre a diplomacia japonesa, é particularmente útil aos estudantes e investigadores de Estudos Japoneses e de Relações Internacionais. Nele, o autor faz um resumo do que considera serem as “carências” da diplomacia japonesa: orientação, política nacional em geral, percepção da situação internacional e opinião pública. Diz mesmo que “foi a ausência de todos estes aspectos que conduziu à fraqueza da nossa diplomacia”.

Segundo Morishima Morito “a Guerra do Pacífico, que começou com o Incidente da Manchúria (…) resultou do autoritarismo irreflectido dos militares e da obediência cega dos cidadãos sem uma verdadeira consciência.” Oferece várias hipóteses de explicação para essa posição dos cidadãos, entre elas a de o povo japonês revelar falta de conhecimentos da cultura internacional e inexperiência em lidar com o mundo exterior, fruto da sua situação geográfica e também da política se isolamento seguida na era do shogunato Tokugawa. Contudo, não permite a exoneração de responsabilidades aos políticos, diplomatas e militares, os quais manifestaram uma falta de visão crónica e uma lamentável incompetência no domínio da negociação. Naturalmente, as palavras de Morishima Morito representam a sua visão subjectiva, mas é um testemunho de grande impacto por ter sido escrito logo em 1950 e tendo em vista um público japonês.

Este livro, lançado muito recentemente, entra automaticamente para o nosso programa de estudos japoneses, fazendo doravante parte das obras estudadas no Clube de Leitura e nas aulas de História do Japão. A partir de Setembro, quando for lançado o programa para o próximo ano lectivo, poderá juntar-se ao nosso grupo de alunos e professores e participar na leitura e discussão desta e de outras obras.

12 meses convosco…

Foi em Junho de 2016, com a Pré-Festa do Japão em Coimbra, que arrancámos a sério com o projeto de estudos japoneses em Portugal, tendo finalmente uma Casa que nos acolhesse e um plano pedagógico para todo o ano lectivo que se avizinhava. Durante o  Verão oferecemos os primeiros cursos, preparámos uma exposição interativa e em Setembro começaram a funcionar as aulas. Pela primeira vez na longa história da relação entre Portugal e o Japão, de forma consistente e com ritmo certo semanal, um grupo de pessoas juntou-se para aprender sobre o Japão e a cultura japonesa, todas as sextas-feiras, muitas vezes com convidados japoneses ou proporcionando o encontro de alunos japoneses com alunos portugueses.  Mais de nove meses disto e continuamos, todas as sextas-feiras. Veja o que fizemos juntos neste ano lectivo, e junte-se a nós para os cursos de Verão!

Clube de Leituras do Oriente

Na próxima sexta-feira voltamos a juntar-nos em volta de boas leituras. O livro deste mês é “Elogio da Sombra”, de Junichiro Tanizaki. Seguimos a edição de bolso da Relógio d’Água.

O autor e o seu tempo

Junichiro Tanizaki nasceu em 1886, na área metropolitana de Tokyo, no seio de uma família que se dedicava ao comércio e especulação do preço do arroz. Nestas condições, Junichiro encontrava-se no lado afortunado da sociedade, embora rodeado de eventos mais ou menos turbulentos. Em 1868 o Japão tinha assistido a uma das mais dramáticas mudanças de regime político da história mundial: a transição do sistema do shogunato Tokugawa para o governo imperial Meiji, com a subsequente formação de parlamento e redação da constituição. Ao nível da população em geral o velho sistema fundado em clãs familiares e clientelismo feudal ainda vigorou, em paralelo, por vários anos. Algumas das reformas, nomeadamente ao nível da organização da produção agrícola e estabelecimento de preços para os bens alimentares, provocaram revoltas violentas, como por exemplo a de Chichibu, apenas dois anos antes do nascimento de Junichiro.

Em 1871 tinha-se implementado outra reforma problemática, que descaracterizava a identidade local das populações: a abolição do sistema “Han” para a organização do território e a sua substituição pelo sistema de “Prefeituras”. Este processo acentuou fenómenos como a migração interna, tendo muitas pessoas viajado dos campos para as grandes cidades em busca de meios de subsistência e novas raízes. Todo o estrato social das famílias Samurai estava em perigo, pois estas famílias consideravam-se donos da terra e dos seus rendimentos sem que tivessem outras profissões ou competências para além de estarem disponíveis para combater pelo respetivo superior. No novo sistema Meiji, o Imperador não necessitava de Samurai, e a classe tornou-se obsoleta. Em 1877 deu-se uma das maiores contra-revoltas que pretendia restabelecer a dominância do sistema baseado nas famílias Samurai, partindo de Satsuma (atual prefeitura de Kagoshima). Alegavam que o próprio Imperador poderia estar a ser um fantoche dos interesses das potências estrangeiras e que, ao resistir ao novo sistema, estavam na verdade a defender os interesses da família imperial. No entanto estavam também a prevenir que a sua destituição os tornasse em famílias virtualmente sem bens, sem património e sem estatuto.

Junichiro cresceu então numa cidade com um número crescente de habitantes, onde se discutia ativamente ideologia, moral, política, e o rumo do país, onde se debatia que elementos da organização administrativa de tipo “ocidental” eram convenientes para o “novo Japão”, quais deveriam ser adaptados, e como. Na sua infância fazia-se sentir o clima de que “nada é seguro” e de que todos os pressupostos podem ser depostos e substituídos. Os programas educativos ainda se focavam em disciplinas antigas, mas os eventos do mundo pareciam tê-los ultrapassado.

Para além disso, vindo acentuar ainda mais essa impressão generalizada da mudança, ocorreu um sismo de grande gravidade nas províncias a noroeste de Tokyo: o sismo de Mino-Owari de 1891 (ou 1890 conforme o calendário é ocidental ou oriental, porque foi em Fevereiro). Este terramoto teve a intensidade de grau 8.0, tendo deixado fendas muito grandes na paisagem rural. O seu impacto psicológico e cultural foi tão intenso que marcou o início dos estudos científicos de sismologia no Japão, tendo-se fundado nesse mesmo ano o Instituto de Sismologia. Foi a partir do estudo das réplicas deste sismo que o cientista Fusakichi Omori desenvolveu o seu trabalho (estudou a duração, ritmo e intensidade, efeitos na paisagem, na agricultura, etc), já que o evento de Mino-Owari teve mais de 3.000 réplicas ao longo de 14 meses.

Em Agosto de 1894, quando Junichiro tinha apenas 6 anos, inicia-se a Guerra entre a China e o Japão. O motivo desta guerra foi sobretudo o poder de influenciar o governo da Coreia, que era considerada pelo Império do Meio como um estado tributário (aproximadamente o mesmo que uma Região Autónoma como a Madeira ou Açores para Portugal). O governo do Japão entrou nesta guerra para prevenir que a Coreia fosse ocupada por potências imperiais ocidentais, as quais estavam sistematicamente a ganhar terreno no mar da China. O interesse da Prússia na Península Coreana e a incapacidade do exército do Império do Meio para fazer frente às táticas ocidentais preocupavam o Imperador Meiji, pois poderiam vir a tornar o Japão também vulnerável a tentativas de colonização. No entanto, quando a guerra acabou, em 1895 e com a vitória do Japão, os interesses nipónicos deixaram de ser apenas preventivos e passaram a ser mais agressivos. Entre as novas elites militares, muitos deles chefes Samurai convertidos apenas nominalmente em generais e líderes armados, existia a necessidade de provar a honra e glória do novo estado japonês. Logo em 1895 prosseguiram para a Invasão da Formosa (atual Taiwan), onde o governo japonês passou a ter soberania nos 50 anos seguintes.

A educação de Junichiro refletiu o seu tempo. Foi educado tanto nas letras clássicas da China como na literatura ocidental. Quando escolheu os estudos universitários renegou a herança de empreendedorismo e comércio da sua família e escolheu fazer parte da nova vaga de jovens rapazes “eruditos nas artes e letras”. Estes jovens não ambicionavam ser “artistas” (não no sentido que se dá ao termo no Ocidente) mas reclamavam para si um lugar inédito na sociedade japonesa, pois recusavam veementemente a integração na febre da produção industrial ou na vida mercantil. Sendo citadinos, não se reconheciam nas zonas rurais, mas a pressão sentida nas cidades exercia neles ansiedade e insegurança, pelo que se refugiavam na criação literária e no debate frívolo de política, de relações familiares e de dilemas de valores. Quando conseguiu entrar na mais cobiçada universidade do país, a Universidade Imperial de Tokyo, em 1908, inscreveu-se no Departamento de Literatura Clássica Japonesa. Mas foi junto dos seus colegas de curso que encontrou o seu grupo, e que se reconheceu como escritor, tendo-se desinteressado rapidamente pelo lado formal das palestras, ao ponto de nunca ter concluído a sua formação.

O seu primeiro romance é apenas de 1925 (Chijin no Ai), mas desde 1910 que escrevia contos, os quais foram sendo publicados por pequenas editoras ou integrados em publicações periódicas. Os temas por ele escolhidos procuram provocar no leitor a sensação de desconforto, repulsa ou medo, trata também muitas vezes as relações disfuncionais entre homens e mulheres, o masoquismo e a tirania. Em 1922 tinha criado o texto para teatro Okuni and Gohei, mais longo que os habituais contos, com temática histórica e marcado pela violência.

O grande terramoto de 1923, que viria a mudar profundamente a cidade de Tokyo, fez com que Junichiro tomasse a decisão de abandonar definitivamente a cidade. Por um lado estava muito descontente com a modernização urbana, e por outro estava mais interessado no que se passava criativamente na região de Kansai (Kyoto, Osaka, Kobe), onde a relação Oriente-Ocidente tinha características muito diferentes de Tokyo. Kyoto oferecia-se-lhe como uma paisagem pitoresca, de um Japão tradicional idealizado, lutando para se redefinir com graça e charme. Osaka, a cidade do porto e do comércio, era mais relaxada ao nível da política e do papel dos militares na sociedade. Kobe, o local de todas as embaixadas das potências ocidentais, falava todas as línguas e podia ter um café parisiense ao lado de uma banca da ramen. O cosmopolitismo assentou-lhe bem, e o retrato das idiossincrasias da vida moderna, e dos seus personagens emergentes, tornou-se a sua inspiração. Datam deste período as suas obras de maior sucesso e qualidade, incluindo projetos tão inovadores como Manji (1930) que foi escrito inteiramente no dialeto de Osaka. Ensaiou a versatilidade cronológica em várias obras, como por exemplo em Momoku Monogatari (1931), um romance que se passa no século XVI e no qual todas as personagens são “vistas” por um protagonista que é cego, e que tem ambição de ser uma subtil sátira às escolhas políticas da sociedade japonesa desde esse período até à contemporaneidade.

Em 1949 o Governo Japonês reconheceu a proeminência de Tanizaki no campo da literatura contemporânea e o seu lugar no pódio dos grandes escritores japoneses de todos os tempos, tendo-lhe concedido uma Ordem. Em 1964 chegou a integrar a Lista de Atribuição de Prémio Nobel da Literatura, mas o seu nome veio a ser retirado sem que tivesse sido atribuído devido ao seu falecimento.

Desde 1958 que Tanizaki já não podia escrever, pois teve pequenos episódios de AVC nos anos precedentes, o que lhe paralisou a mão direita. A sua saúde degradou-se bastante no final da década de 50, o que culminou com o internamento hospitalar em 1960, tendo sido registado como angina de peito. Faleceu de ataque cardíaco em 1965.

 

O ensaio estético “Elogio da Sombra”

Este pequeno livro destaca-se na obra de Tanizaki porque não representa uma das suas obras de ficção. Em vez disso, neste livro o autor fala na primeira pessoa e dá-nos a sua impressão sobre a estética japonesa, num sentido lato. Considerando que a sua área era a das letras e não as das artes, o autor não assumiu que este livro tratava a história da arte japonesa, mas na prática oferece-nos uma visão que se aproxima muito do ensaio estético. A sua publicação em língua japonesa é de 1933 e tem como destinatário preferencial o público japonês que, no contexto da Modernidade, se afastava progressivamente da estética tradicional. O autor incorpora referências a obras literárias e correntes artísticas ocidentais, fazendo amplo uso das comparações, das reinterpretações e da crítica, mas o seu tema predominante é a apologia ao que considerava ser específico da sensibilidade japonesa. Em grande parte trata-se de uma “tradição sublimada”, no seguimento do que fizeram muitos outros intelectuais da época Meiji e posterior, para marcar uma identidade japonesa em contexto de dúvida e insegurança coletiva. A obra só viria a ser conhecida no Ocidente a partir da década de 70, tendo-se tornado rapidamente um manual de referência para estudantes de arte, design e arquitetura.

O título em língua japonesa remete para a ideia de aclamação/elogio, mas também para a de gratidão. As sombras seriam então um elemento essencial ao equilíbrio entre o cheio e o vazio, o espaço e o conteúdo, e teriam um papel essencial à apreciação das coisas, inclusivamente da própria luz (que se vê assim “temperada” por uma certa dose de sombras).