Viajar ao Japão , é possível ?

A todos os nossos amigos, colaboradores e seguidores, cabe esta publicação informar que ainda não se encontram reunidas as condições para realizar a edição da Visita Cultural ao Japão que o nosso Projecto Cultural tanto desejava retomar (finalmente) este ano. Os nossos programas de aprendizagem seriam enormemente enriquecidos pelas experiências imersivas que tínhamos preparado para vós, mas as determinações do Governo do Japão em relação ao controlo de fronteiras ainda estão muito fechadas e não permitem a entrada de visitantes estrangeiros com um programa de visita independente (isto é, sem subscreverem os programas extremamente condicionados e nulos de potencialidade de imersão cultural que estão neste momento a ser ensaiados para a entrada muito controlada de turismo externo). Nesta publicação vamos procurar esclarecer o que se passa ao nível do controlo de fronteiras do Japão, não só para os que nos elegem para os orientar nas suas experiências mas também para todos os que visitarem esta página em busca de informação.

Do encerramento de fronteiras face à emergência pandémica até ao Verão de 2022

Imagem 1: os cidadãos portugueses – que não precisavam de ter Visto de nenhum tipo para entrarem no Japão e aí permanecerem até 90 dias para livre circulação (incluindo turismo) entre 1974 e 2021 – passaram a estar barrados de entrar no Japão e também impedidos de requerer Visto para esse efeito, tendo mesmo sido cancelados os Vistos de trabalho e/ou outro previamente emitidos.

Neste quadro pode ver-se que o regime de “excepção de necessidade de requerimento de Visto” que estava em vigor entre Portugal e o Japão desde 1974 foi unilateralmente cancelado. Pese embora as circunstâncias para a cessação desse regime tenham sido justificadas pela emergência do impacto da pandemia, o acordo bilateral ainda não voltou a estar em vigor (à data de hoje 15-8-2022), isto embora vários outros países que não têm necessariamente relação histórica e cultural tão significativa com o Japão já terem visto o seu regime de “excepção da necessidade de requerimento de visto” de volta ao normal. O facto de Portugal estar posicionado nesta lista (veja-se fonte da imagem em https://www.mofa.go.jp/) leva-nos a crer que o regime de “excepção” através do qual as boas relações diplomáticas entre os dois países eram reconhecidas não tornará a ser reactivado tão cedo.

O Governo do Japão, à semelhança de vários outros países, encerrou as suas fronteiras quase na totalidade em Janeiro de 2021, fazendo uso de cláusulas previstas na sua constituição que lhe permitem reagir a ameaças de saúde pública desse modo. Os cidadãos japoneses, que têm os seus direitos constitucionalmente protegidos, não ficaram proibidos de sair e voltar a entrar no Japão. Contudo, deve notar-se que durante este longo período de tempo tenham sempre existido medidas burocráticas e sanitárias muito apertadas para que esse tipo de movimento transfronteiriço pudesse acontecer. Para os estrangeiros que têm estatuto de residente no Japão, todo o ano de 2021 foi muito difícil, uma vez que era praticamente impossível reentrar no país se escolhessem sair. A reunião de células familiares inter-nacionais também foi desproporcionalmente lesada. O turismo cessou totalmente, porque a entrada de turistas estrangeiros ficou absolutamente banida, e muitos sectores da economia japonesa sentiram esse impacto. A cessação da livre circulação de pessoas teve também um enorme impacto na circulação de estudantes (inclusive aqueles que tinham ganho bolsas de estudo para o Japão, e que não puderam ir para o Japão e beneficiar da sua bolsa plenamente) e de cientistas e outros profissionais do ensino. O meio académico, cultural e outros ficaram efectivamente “secos” de todo o input proveniente de fora do Japão até pelo menos o final do ano de 2021.

No final de 2021 estavam a ensaiar-se as medidas para uma reabertura progressiva, mas o aparecimento da variante Omicron e as novas vagas de infecção, somadas ao facto de se considerar menor efectividade da vacina em circulação (que foi criada não prevendo a variante em causa), levaram ao retractar de intenções de abertura de circulação em moldes prévios a 2021, e à normalização de um estado de “fronteiras encerradas” apesar de a maior parte dos outros países do mundo ter passado a aplicar modelos de abertura por etapas logo a partir de Janeiro de 2022. O ano de 2022 assistiu a um retomar da circulação de pessoas e bens a nível internacional, com as devidas adaptações ao nível do controlo da pandemia por meio de protocolos sanitários e de vacinação. Embora cada país e região do globo tenha reagido de forma ligeiramente diferente, as duas grandes excepções – que se começaram a notar logo na Primavera de 2022 – eram a China com a sua política de “zero casos de covid” e o Japão com a sua política de “impedir a entrada de novas variantes através das fronteiras”. A argumentação com maior peso para a aplicação de medidas de controlo de fronteiras no Japão prendeu-se sempre com a necessidade de prevenir a entrada de novas (e potencialmente mais perigosas) variantes do vírus SARS-COV-2 por via da entrada de estrangeiros, partindo do princípio que o regime de reentrada de nacionais e outros em regime de excepção poderiam ser infalíveis. Contudo, os resultados do período de férias designado “Golden Week” na primeira semana de Maio e a circulação de japoneses dentro do país levaram a que o Japão se tenha tornado, desde o início deste Verão, o país do mundo com maior número de casos diários e em progressão. O Japão encontra-se na verdade numa posição infeliz, porque a população está a ser afectada de forma negativa por políticas de isolamento que levaram a uma quase nula resistência à doença, estando neste momento a ser vítima de níveis muito elevados de infecção e consequentemente uma subida do número de casos graves.

Imagem 2: o período de férias de Verão no Japão trouxe em evidência a impossibilidade de controlar e gerir a infecção entre os japoneses, em circulação pelo seu país ou em cadeias de transmissão familiares , escolares e laborais. Mesmo sendo uma época do ano em que a maior parte dos ajuntamentos é realizada ao ar livre, e nem sequer sendo uma época do ano em que há eventos corporativos regulares (isso seria mais para o final do ano ou na época de “treino” dos novos contratados, em Abril) pode notar-se o evento de uma explosão de novos casos.

Uma vez que o encerramento de fronteiras para os não-japoneses não impediu o Japão de estar a braços com uma situação muito lesiva ao nível da saúde pública e mesmo da gestão do sistema de atendimento hospitalar, muitos têm sido os críticos dessas mesmas medidas de isolamento. Com efeito, apesar de ter passado a ser possível entrar no Japão como estudante ou trabalhador (com certos requisitos naturalmente) ao longo do ano de 2022, a entrada de visitantes, turistas, profissionais liberais (freelance), artistas, familiares internacionais e outros ainda está muito condicionada. E portanto, ao impacto do “isolamento” soma-se agora o impacto de uma catastrófica estratégia de gestão da pandemia em era pós-omicron.

Portugal perdeu o seu estatuto de nação-amiga

Portugal, que tinha com o Japão um regime de “excepção da necessidade de Visto” até um período de 90 dias, era uma das “nações-amigas” do Japão, isto é, países que o Japão reconhecia como tendo uma relação histórica e cultural significativa, cujos cidadãos não eram considerados como potencialmente perigosos, que não tinha com o Japão questões pendentes que ameaçassem as boas relações diplomáticas, que não tinha para com o Japão um posicionamento hostil, enfim, que em nada fazia prever que os visitantes provenientes da dita nação pudessem causar qualquer tipo de incómodo para os cidadãos japoneses, mesmo que lhes fosse permitido circular livremente no Japão até 3 meses. Esse regime de excepção permitia, entre outras coisas, que os potenciais interessados em ingressar em Universidades japonesas ou em realizar a actividade de investigador ou académico no Japão pudessem fazer uma viagem de reconhecimento e estabelecimento de contactos, para que numa segunda fase tivessem a capacidade de planear e executar os seus planos, em benefício também da comunidade académica e científica do Japão. O regime permitia também, todos os anos, vários programas de voluntariado, residências artísticas, ensino informal, imersão cultural colaborativa em comunidades rurais do Japão, que revitalizavam economias despovoadas e em recuperação de catástrofe, bem como a realização de actividades de turismo e fruição cultural para todo e qualquer amante da cultura japonesa com passaporte português, sem as restrições de “pacotes” de turismo massificado desenhados por agências de viagens ou plataformas análogas. A necessidade de “supervisão” dos turistas portugueses no Japão nunca foi uma questão, nem para aqueles que entravam no território por via de programas de empresas comerciais nem para aqueles que elegiam um regime mais livre e independente em que tratavam das suas próprias reservas e percursos. Os cidadãos portugueses eram reconhecidos pelo Governo do Japão como plenamente capazes de interpretar as regras e orientações que vigoravam em espaços públicos e pontos turísticos, aptos para se adaptarem sem grande problema às eventuais diferenças de cultura e comportamento, e em tudo reconhecidos como um povo igualmente “civilizado”.

Imagem 3: em Maio de 2022 Portugal foi positivamente integrado num regime de grupos de risco, pelo que deixou de ser determinantemente proibido para os cidadãos portugueses entrar no Japão. Apesar disso, o sistema de grupos de risco – que se encontra dividido em “vermelho”, “amarelo” e “azul” – veio a integrar Portugal no grupo “amarelo” e desde então não se tem movido para fora desse grupo. O facto de Portugal estar no grupo “amarelo” significa que não se reverteu o cancelamento do regime de “excepção da necessidade de requerer visto”, consequentemente os portugueses ainda não podem visitar Japão como o faziam até Janeiro de 2021. Para um cidadão português é, na prática, impossível visitar o Japão como turista, já que o Governo do Japão apenas permite a emissão de visto de turismo (e em condições muito controladas) a cidadãos de países do grupo azul.

Com o anunciar de novas medidas de controlo de fronterias durante o Verão, seria de prever que as autoridades responsáveis por analisar os dados de cada um dos países e as informações concretas sobre a forma como cada nacionalidade tem estado a medir a sua “performance” chegassem à conclusão que em Portugal, entre os portugueses, a cooperação com as medidas sanitárias e outras foi consensual e que os portugueses têm circulado no seu próprio território e também entre outros países sem que se tenham registados casos significativos de comportamentos irresponsáveis e/ou graves. Os cidadãos portugueses poderiam ser considerados, também pelos dados objectivos provenientes dos números de casos novos e reduzido número de casos graves, como um dos exemplos “bons” para efeitos de turismo em outros países. O visitante português típico concorda com medidas de testagem, tem receptividade para aceitar subscrever seguros de saúde em viagem, e ao longo desde ano e meio aumentou a tolerância para aceitar medidas de quarentena à chegada até 3 dias.

À data de redacção desta publicação, e com grande pesar o anunciamos, Portugal ainda se encontra no “grupo amarelo”, os cidadãos portugueses não podem entrar no Japão para uma visita independente ou para uma visita não integrada em pacotes do JNTO , e o pedido de vistos para turismo está em “stand by”. O elevadíssimo número de casos de covid no Japão também nos faz prever que o país não poderia prestar uma boa assistência médica a cidadãos que entrassem em boas condições de saúde e contraíssem o vírus durante a sua estadia (o que é muito mais provável neste momento e nos meses que se seguem). Portanto, não só não se reúnem as condições para podermos realizar o nosso programa de Outubro como não recomendamos que o procurem fazer por via comercial (pacotes de viagens).

Recomenda-se a consulta de https://www.mofa.go.jp/ca/fna/page4e_001053.html

e também de https://www.japan.travel/en/practical-coronavirus-information/

Vamos ter um Verão nipónico

Estão quase aí os eventos de Verão! Aqui está o alinhamento (mas ainda podemos vir a agendar mais!) para o mês de Julho, no qual todas as sessões serão GRATUITAS:

Dia 2 vamos estar na Kuri Kuri Shop (Porto) para uma sessão especial e de lotação limitada. O objectivo desta sessão será falar sobre as novas regras para o turismo internacional no Japão e de que modo é que uma pessoa pode começar a planear a sua viagem ao Japão. Esta é uma sessão aberta ao público geral, desde que ainda exista lugar disponível. As reservas deverão ser asseguradas na Kuri Kuri Shop.

Dia 8 teremos a primeira parte de um programa sobre poesia tradicional japonesa – haiku. O workshop será realizado online no fim do dia e não há nenhum tipo de pré-requisito. Crianças são bem-vindas também, desde que acompanhadas de um adulto. Este programa (bem como a segunda e terceira sessões) são apenas para membros do Clube Privado.

No dia 10, ao final da manhã, praticamos as nossas habilidades na cozinha! Teremos a primeira parte de um programa de workshop online dedicado à gastronomia tradicional japonesa. Iremos demonstrar como preparar uma caixa-refeição (obento) com comidas de Verão. Esta sessão (bem como a segunda parte) são apenas para membros do Clube Privado – os quais recebem previamente a lista de ingredientes.

No dia 15, à noite, teremos a segunda parte do workshop de Haiku. Se na primeira parte aprofundámos mais a história e os exemplos dos grandes mestres, nesta segunda parte já existe mais componente prática.

No dia 17 antes de almoço lá nos encontramos virtualmente para mais receitas japonesas adequadas aos dias quentes, aos piqueniques, às tardes na praia e às aventuras nos festivais! O espírito japonês através do paladar chegará a vós nesta sessão e podem depois reproduzir o efeito tantas vezes quantas desejarem.

No dia 22 ao serão é ocasião para voltarmos aos poemas e às imagens belíssimas que estes evocam. Entre criações vossas e clássicos, vamos descobrir os paralelos entre a poesia haiku e outras formas de arte japonesa. E poderemos até explorar um pouco o potencial poético e estético da caligrafia!

No dia 23 à tarde falamos de livros e de leituras, pois é dia da sessão mensal do Clube de Leituras do Oriente.

O livro escolhido para este mês é “Alegria – guia ilustrado da arte de arrumar a sua casa e a sua vida”, de Marie Kondo, editado em Portugal pela Bertrand. Esta sessão é aberta ao público geral. Para aceder online por favos solicite as credenciais, contactando-nos por email ou através das redes sociais (ou comentando este post).

Visita ao Japão no Outono

Os membros beneméritos do Clube Privado do nosso Projecto Cultural e Pedagógico são elegíveis para os QUATRO LUGARES que estão disponíveis para um programa de duas semanas no Japão, a realizar no próximo Outono.

Naturalmente, a realização desta viagem e a execução plena do seu itinerário estão dependentes de:

  1. O Governo do Japão permitir a entrada de turistas estrangeiros , nomeadamente de nacionalidade portuguesa, sem a existência de quarentena à chegada;
  2. Se reunirem condições , no Japão, que não impossibilitem a execução das actividades, visitas, workshops e percursos que estão designados no programa, nomeadamente ao nível da entrada em locais públicos e privados, e interacção directa e interpessoal.

Sem parceria com agências ou agentes de viagens. Acesso restrito.

Curso Elementar de Kanji

O Curso Elementar de Kanji é um Curso criado pela FUNDAÇÃO JAPÃO e que corresponde a um manual publicado em língua portuguesa e em japonês, disponível apenas para professores e projectos educativos e não disponível para venda ao público. Este importantíssimo recurso pedagógico está disponível para os membros do Clube Privado do nosso Projecto Cultural e Pedagógico, tanto para estudo autónomo (e portanto sem quaisquer custos) como para estudo orientado por professor (sendo o modelo de pagamentos determinado entre o/a aluno e o/a professor). Veja como exemplo as 4 primeiras páginas de conteúdos abaixo indicadas:

A aprendizagem da língua japonesa requer o uso de kanji (ideogramas) mesmo desde o nível elementar, e no nosso Projecto Cultural e Pedagógico defendemos que o método mais eficiente para o uso da língua japonesa deverá ser o mais imersivo possível, e portanto começando logo por preparar o aluno para a aquisição de competências de oralidade e de escrita. Paralelamente, dispomos de vários cursos, workshops e eventos, dedicados a outros aspectos da cultura , história, sociedade, literatura e arte do Japão, para que o aluno fique exposto a várias áreas dos Estudos Japoneses.

Os programas de Visita Cultural ao Japão complementam a experiência, pois trata-se de viagens orientadas para uma consolidação das aprendizagens e fora do modelo de turismo massificado.

Para mais informações, contacte-nos através de email: umlongoveraonojapao@gmail.com

ou através das nossas redes sociais Facebook e Instagram

Um livro que o convida a tomar um café e viajar no tempo… Clube de Leituras de Junho

Fonte da imagem: Editorial Presença (perfil oficial da editora no Facebook)

O livro escolhido para a sessão de Junho é “Antes que o café arrefeça”, de Toshikazu Kawaguchi (1971 – )

Sessão de acesso livre e gratuito, mediante inscrição até 24h antes do evento.

A decorrer a 25 de Junho de 2022, às 16h. formato online garantido.

A realização de sessão presencial está dependente de confirmação de cedência de espaço.

Estamos a oferecer livros que também são arte

O Verão combina com livros 😉 Já escolhemos os livros para as edições de Junho, Julho e Agosto do Clube de Leituras do Oriente, e até há livros para oferecer!!!

Pode ganhar um exemplar do livro “Sadako e o Voo do Tsuru”*, que é o livro escolhido para a sessão de Agosto, se reunir as seguintes condições:

1) ser membro benemérito do nosso Clube Privado ou tornar-se membro benemérito até à data deste evento (27 de Agosto);

2) Manifestar interesse em participar nesta sessão do Clube, seja presencialmente ou online;

3) Apoiar o Projecto Cultural através de divulgação dos seus posts, artigos, vídeos, eventos, cursos e workshops, de forma activa e eficiente, constituindo-se assim como nosso parceiro de divulgação, em redes sociais e várias plataformas online (pode ser necessário verificar potencial de alcance)

O livro será enviado para a sua morada, por correio, com registo, sem qualquer custo!

O Clube de Leituras do Oriente é uma iniciativa do Projecto Cultural e Pedagógico Japão e Portugal, com uma sessão por mês, de acesso livre e gratuito. Desde 2020 as sessões têm sido predominantemente online. A partir de 2022 algumas sessões são também presenciais, em locais a determinar. Poderemos realizar uma das sessões do Clube de Leituras na sua Escola, Associação Cultural, Loja, etc. Para isso contacte-nos através das redes sociais (links menus laterais) ou por email (idem).

Os livros recomendados para cada mês são sempre escolhidos de acordo com os objectivos e missão do nosso Projecto Cultural, designadamente para potenciarem o debate de questões sobre a história, sociedade e cultura japonesas e aprofundar a relação entre Portugal e o Japão, numa perspectiva de Estudos Japoneses. Também procuramos dar visibilidade a autores e artistas portugueses sempre que possível. Não vendemos livros e não temos nenhuma parte da sua venda. As editoras e autores dos livros que recomendamos não nos procuraram para que estes livros fossem recomendados e não recebemos benefícios para o fazer. As nossas escolhas são autónomas e estamos receptivos às vossas sugestões.

Carla Monteiro, a autora.
Ilustração de Carla Monteiro: uma das várias obras de arte neste livro.

* Obra escrita e ilustrada por Carla Monteiro.

Veja-se https://www.facebook.com/carlamonteirodelame/

O torna-viagem !

“O regresso da nossa querida exposição, que foi criada em Portugal em 2017/18, foi finalmente integrada nas comemorações do aniversário do porto de Nagasaki em 2021 e agora retorna a Portugal. Concepção historiográfica e textos de Inês Matos, design de Inês Ferreira, Ilustração (personagens) de Paula Walker, tradução para japonês por André Moreira e Nao Moreira, e muito mas mesmo muito trabalho de muitas outras pessoas, tanto em Portugal como no Japão, nestes anos extraordinários em que se meteu uma pandemia pelo meio e quase que não se conseguia realizar o sonho!”

via @proj-japaoeportugal.org

Rotas da Lusofonia

e Bom Dia Japão

Boas notícias para os fãs do estúdio Ghibli

O estúdio Ghibli é responsável pelos filmes de animação japonesa mais famosos em todo o mundo, tendo entrado firmemente na imaginação de gerações de fãs, e muitos deles tornam-se mais tarde adultos com um forte desejo de visitar o Japão. Se bem que o Japão contemporâneo não é exactamente “como nos filmes”, ainda assim é uma experiência maravilhosa ver alguns dos lugares que inspiraram os artistas que criaram os desenhos. Agora imagine, se isso já é um espectáculo, como seria visitar realmente o universo Ghibli?! Sim, isso será possível a partir de Novembro deste ano, pois está a ser construído um recinto gigantesco dedicado à recriação dos ambientes dos vários filmes e histórias. Note-se que este não é um mero “parque temático”, pois já existia a “Casa do Totoro” numa floresta junto ao Parque Comemorativo da Exposição Aichi-2005 (nós visitámos em 2017) e o actual Parque Ghibli está a ser desenvolvido em torno desse e de outros lugares. Leia este artigo para saber mais detalhes e, se gostar, compartilhe nas suas redes sociais!

No dia 2 de Feveriro de 2022 (certamente simbólico: 2.2.22) abriu um misterioso website (captura de ecrã acima) que dava a conhecer um projecto aparentemente magalómano e estupendo: a abertura de um espaço ao ar livre, de grandes dimensões, imerso em floresta, que recriava o ambiente dos filmes de animação Ghibli. Como os turistas estrangeiros têm estado banidos de entrar no Japão desde Março de 2020, esta notícia teve ainda mais impacto, já que ninguém estava à espera de tal coisa e ainda para mais criou grandes expectativas para o Outono!

O que é o Parque Comemorativo da Exposição Aichi-2005 e porque é o espaço ideal para celebrar o Estúdio Ghibli ?

Sob o tema “A Sabedoria da Natureza”, a exposição universal de Aichi foi uma espécie de “Expo’98” – referência que alguns de vós vão compreender – no sentido em que se tratou de um certame com representação de vários países, distribuídos por grandes pavilhões, num espaço com áreas de lazer, consumo e espectáculos, tendo várias semanas de duração e marcando toda uma nova área territorial junto à cidade de Nagoya. A exposição “Aichi’2005” teve tudo o que de melhor tinha o recém-rechado século XIX (olhamos com algum saudosismo para tal optimismo…): apresentação de novas soluções de mobilidade urbana e veículos de aspecto futurista, robôs incrivelmente convincentes na sua fisiologia humanóide, shows cativantes sobre as inovações eco-sustentáveis e tecno-orientadas das indústrias de ponta de cada um dos países, e muita mas mesmo muita gente!

Depois de passarem por ali 22 milhões de visitantes, esta área com mais de 180 hectares, que fica a menos de uma hora do centro de Nagoya, ficou basicamente vazia. Com o passar dos anos estabeleceram-se alguns pequenos centros botânicos, maioritariamente dedicados a desfrutar das flores ou de lazer e desporto, um parque de diversões com roda gigante e restaurantes, e também foi instalar-se nas proximidades um centro de desenvolvimento de tecnologia a um campus universitário. Mas, ainda assim, e dada a escala monumental do que estamos a falar, tudo parecia “pequeno” dentro do Parque Comemorativo Memorial Aichi 2005.

Foi então que voltou a sentir-se o apelo das mascotes originais…

Kiccoro e Morizo foram criados como mascotes para a “Aichi 2005”, sendo Morizo um “espírito da floresta” e Kiccoro o seu pequeno parceiro. Um faz sobressair o melhor do outro e juntos personificavam o tema “Sabedoria da Natureza”, com o acréscimo de um tom infantil, brincalhão e adorável. Se o Japão já é mestre em criar mascotes “kawaii”, estes dois superaram todas as expectativas. De tal modo que em Aichii toda a gente conhece o parque pelo nome “Parque do Morizo” e não pelo nome oficial!

Estas duas criaturinhas simpáticas resurgiam constantemente no imaginário popular, foram criados até livros de histórias em que eles são as personagens principais, e de modo geral ficaram sempre “pendurados” para uma segunda vida. Até que, subitamente, como é costume nestes casos, o potencial desta área passou a fazer sentido quando se considerava uma das atrações remanescentes.

Sim, uma pequena atracção durante a Aichi 2005 permanecia aberta, ano após ano, com cada vez mais visitas. Naquele espaço imenso, no meio de um parque florestal num dos cantos da área da Exposição, perseverava uma atracção que no início até se tinha pensado fazer apenas como algo temporário. Trata-se da casa de Satsuki e Mei, as duas meninas do filme “O meu vizinho Totoro”. A casa, na escala real, por dentro e por fora, e mesmo na envolvência de horta e jardim, é um micro-cosmos Ghibli. O acesso sempre esteve condicionado por bilhetes muito difíceis de adquirir (só se compravam a partir do Japão e esgotavam geralmente com 3 meses de antecedência) e não existia lá grande sinalética para dar com o sítio, mas a “Casa de Satsuki e Mei” era indiscutivelmente um coração pulsante no seio deste lugar aparentemente desprovido de um propósito claro.

Dois espíritos da floresta traquinas e uma casa onde milhares de visitantes depositaram todo o seu amor e alegria fazem nascer uma energia nova, e a ideia de um universo Ghibli no mundo real ganha forma!

A casa de Satsuki e Mei nunca teve ambição de se tornar mais do que isso, mas como todos sabemos, os fãs têm muito peso na sucessão de acontecimentos. A administração do Parque Comemorativo e a Prefeitura de Aichi, ao receber relatório do potencial desta temática e de toda aquela área vazia, voltou-se para um brainstorming que viria a durar vários anos. Nunca parecia estar vento a favor deste empreendimento, isto é, até que o Japão bateu todos os recordes e projecções de turismo, tanto em 2017 como em 2018 e 2019. Com três anos excelentes, diria mesmo extraordinários, foi possível convencer os investidores no apoio financeiro àquele que será o futuro Parque Ghibli. Aliás, o Parque não pode ser criado todo de uma só vez, e a secção que se espera abrir em Novembro deste ano será apenas a primeira.

E como estão a correr os preparativos?

Desde Fevereiro até agora as obras progrediram a todo o vapor! Como se pode ver no website oficial https://ghibli-park.jp/en/about , este Parque terá várias áreas diferentes e articula-se com o núcleo do Parque Comemorativo Memorial Aichi 2005.

Assim, o acesso ao “mundo” Ghibli será feito por um elevador e plataforma elevada, com o que parece ser um portal multidimensional (viagem no tempo?), que já tem aquele “look” inconfundível da animação japonesa, como se pode ver nas fotos abaixo.

Outra construção em progresso é a casa vermelha do filme “Sussurro do Coração”, que pelo menos por fora já parece estar quase completa.

Quando se pode visitar?

O Parque ainda não tem data exacta de abertura nem sistema de venda de bilhetes, mas da nossa parte já sabemos que vamos logo que nos seja possível retomar os programas de visita ao Japão.

Para mais informação sobre como visitar o Japão com uma experiência imersiva, guiado em português e inserido num grupo com foco nos estudos japoneses, contacte-nos que estamos ao seu dispor!