Vila do Bispo: Portugal à porta do Japão

A relação diplomática entre Portugal e o Japão tem muitas camadas. Seguramente existem os protocolos a nível nacional e os acordos políticos ratificados pelos respectivos governos, mas na verdade existe também uma fortíssima dimensão de relações internacionais mais “informais”, que tem o nome de “diplomacia pessoa-a-pessoa”. Um dos temas que me tem ocupado nos últimos anos é precisamente um modo de estabelecimento de relações para-diplomáticas (diplomáticas mas não só) entre as cidades geminadas. Os acordos de geminação não são o mais importante nesta questão, mas sim o modo como cada uma dessas geminações é um caso específico, com uma história própria e com relações mais ou menos fortes entre as pessoas e as instituições envolvidas.

Recentemente fui convidada para fazer consultoria para um projecto mesmo interessante – mas do qual não posso revelar muito por enquanto – que tem como espaço preferencial de execução um sítio muito especial em Portugal: Vila do Bispo. Para quem não sabe, Vila do Bispo é sede de município e está, desde 1993, geminada com Nishinoomote, a capital da ilha Tanegashima, que foi o primeiro ponto de contacto (oficialmente reconhecido) entre Portugal e o Japão, íamos então pelo ano de 1543.

Vila do Bispo está a um pulinho de Sagres e num ponto geográfico do país no qual se faz a transição entre a costa vicentina e a costa sul do Algarve propriamente dito (com a pressão turística e a descaracterização paisagística que se conhece). Para além disso, Vila do Bispo está bem dentro de um Parque Natural, o que de certo modo lhe dá condições privilegiadas para certas actividades, como por exemplo a observação de todo o tipo de animais, os percursos pedestres, os desportos de natureza e de mar, a apanha de marisco e peixe, etc.

Na minha opinião, e depois destes anos todos de contacto com Tanegashima e a sua população, parece-me que a geminação entre Vila do Bispo e Nishinoomote tem muito por onde se desenvolver! Vamos ver se conseguimos que o projecto que desenhámos se realize…

Entretanto deixo-vos algumas fotografias da minha última deslocação a Vila do Bispo (para uma reunião que tive na Câmara Municipal), incluindo a bela “Praça de Tanegashima” mesmo em frente à Câmara, e ainda o percurso do Castelejo. Evidentemente, aproveitei para fazer “reconhecimento”, que é na prática andar o mais possível por um lugar, experimentar tudo o que tem para oferecer e falar com as pessoas, para fazer um diagnóstico das suas potenciais linhas de desenvolvimento com um parceiro específico, que neste caso é a vila japonesa com a qual está geminada.

Nota: estas fotografias são da autoria de Inês Carvalho Matos; não podem ser usadas no todo ou em parte, com ou sem modificação, em nenhum tipo de suporte físico ou virtual, sem que sejam negociados com a autora os direitos de cedência das imagens.

 

STOP à apropriação indevida da propriedade intelectual

Como autora de artigos que estão em sites e blogues, e ainda mais como autora de vídeos que publico no meu próprio canal do youtube, tenho tido, infelizmente, algumas surpresas desagradáveis no que diz respeito à apropriação indevida da propriedade intelectual. Por isso vou esclarecer alguns pontos: um texto/vídeo publicado num website ou num blog não é um texto/vídeo de todo e de qualquer um, é da autora e eventualmente do serviço de publicação (se foi comprado), e portanto não pode ser colocado no todo ou em parte noutro website, artigo, blog, etc, sem que a autora seja explicitamente citada e mesmo assim a autora tem que dar autorização quando a citação incluí materiais visuais e audiovisuais.

Num blog chamado “Alma Lusa” vi publicado um dos meus vídeos – que trata da chegada dos portugueses à ilha de Tanegashima e introdução das armas de fogo – como “ilustração” de um texto totalmente alheio ao meu vídeo, e que por isso prejudica a sua leitura como sendo a minha obra original e a minha apresentação do assunto. Escrevi um comentário para esse blog que aqui transcrevo:

Caro Sr. /Cara Sra. gestor do blog Alma Lusa. O vídeo “A chegada dos portugueses ao Japão (…)” colocado na notícia de 20.07.2015 neste blog é da minha autoria. Eu, Inês Matos, criei este vídeo de origem, usando apenas um pequeno excerto do documentário do Francisco Manso, que me foi cedido pelo próprio, mas para além desse excerto usei outras imagens. Sou também a autora da narração total e integral deste vídeo. Não tendo sido informada da publicação do mesmo agradeço que retirem imediatamente este vídeo deste blog ou, em alternativa, façam uma proposta para terem direito de publicação. Sou investigadora em estudos japoneses, autora de livros e artigos e a minha actividade profissional é escrever sobre o Japão. Portanto não podem usar um produto que é minha propriedade intelectual no vosso blog. Aguardo o vosso contacto amigável nos próximos dias pois vou considerar de boa fé que se tratou apenas de um lapso. Atentamente, Inês Carvalho Matos – projecto cultural “Um longo Verão no Japão”, 21.07.2015