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Estação da sakura

“Sakura Season” é uma expressão que os japoneses usam (sempre escolhendo a versão em inglês, mesmo conversando entre si) para falar do curto período de 8 a 10 dias em que as árvores de Sakura estão em floração. Depois de floridas, as pétalas delicadas das flores começam logo a esvoaçar, espalhando-se por ruas, canais e cabeleiras. Em menos de duas semanas tudo passou, e a energia contagiante que esta “season” trouxe dá lugar a uma agradável Primavera.

 A “Sakura Season” não é uma estação do ano, é um evento natural, cultural e muito especificamente japonês. Tardes soalheiras a beber álcool com os amigos sob os ramos das cerejeiras passa a ser um comportamento aceitável, bem como ir fazer piqueniques à noite para um parque público. Famílias inteiras ou grupos de amigos vão de propósito a certo castelo ou rio para isto. Não se trata apenas de apreciar o cenário, mas sim de fazer parte dele, manifestando com ruído, risos e espontaneidade a mesma energia primaveril dos rebentos floridos. 

A melhor maneira de desfrutar do ambiente único que se vive durante o período de floração das Sakura é, em primeiro lugar, saber exactamente onde ir e quando ir para as apreciar (já que o fenómeno é passageiro e não é uniforme), e fazer um plano de viagem que inclui esses lugares em conjunto com outras atrações, como por exemplo castelos ou ryokans. Mas também é importante fugir das multidões e “escapar” para uma experiência mais autêntica, se possível com um grupo de amigos japoneses.

Nas ruas do Japão, já pintadas de rosa, anuncia-se a chegada da Primavera, e as Sakura só vão durar mais alguns dias. É portanto a época ideal para pensar em planear connosco a sua viagem ao Japão na “Sakura Season” de 2020!

Uma experiência diferente…

Desde 2013 que ajudamos portugueses a conhecer o Japão e japoneses a conhecer Portugal, mas este ano realizámos pela primeira vez uma viagem em parceria com duas agências portuguesas: a Landescape e a WeGoAdventures.

Em resultado dessa parceria, proporcionámos a um grupo de viajantes portugueses uma série de experiências de turismo imersivo, ao longo de duas semanas.

Aqui ficam alguns dos registos fotográficos.

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Os rostos e os rastos que (n)os ligam

A grande-história e a pequena-história têm formas muito interessante de se relacionarem, e muitas vezes é um singelo “fio” que puxa pela meada, até percebermos quantas pessoas e lugares diferentes estão envolvidos. Este será por isso um post invulgarmente longo, e também invulgarmente pessoal, feito de gratidão e de maravilhamento. Pois, também na produção da ciência (conhecimento) há a felicidade, de vez em quando, de sentir em primeira mão essa conexão entre as vontades de pessoas espantosas.

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Num dos nossos Clubes de Leituras do Oriente (o de Novembro de 2017, que podem revisitar aqui) tratámos o livro “O Samurai”, de Shusaku Endo. A obra foi escolhida depois de, numa edição anterior do Clube, termos trabalhado o livro “Silêncio”, que foi escrito antes de “O Samurai” e que, apesar de ficar famoso em Portugal depois do filme, continua pouco compreendido no geral. No livro “O Samurai”, a personagem principal é modelada a partir dos eventos da vida de uma personagem histórica real: Hasekura Tsunenaga. Este vassalo do Senhor Feudal Date Masamune (o daimyou de Sendai) e toda a sua comitiva estiveram efectivamente envolvidos numa daquelas viagens épicas da história da humanidade. E, ao prepararmos os conteúdos para essa sessão, um outro livro e um outro conjunto de pessoas veio ao encontro deste Projecto Cultural e Pedagógico também. O que é espantoso, e ainda mais por ser autêntico e actual, é que esse conjunto de pessoas são indivíduos de hoje, numa terra a umas meras 5 horas de carro, e que são directa e geneticamente relacionados com os eventos que inspiraram Sgusaku Endo a escrever “O Samurai”. Aliás, se o escritor tivesse tido disto conhecimento creio que teria escrito mais um livro…

Quando a “Embaixada Keichou” finalmente chegou a terras de Espanha (para se informar da viagem completa consulte aqui) , em Outubro de 1614, foi numa pequena povoação chamada Coria del Rio que estacionaram durante alguns dias, antes de uma entrada formal na cidade de Sevilha. E é precisamente em Coria del Rio que, nos anos 80 do século XX, começa a tomar forma um movimento de associativismo cívico – primeiro muito informal e depois com cada vez mais apoios do município, entre todos os habitantes que têm no seu nome de família o apelido “Japón”. Sim, com efeito a pequena localidade que dava entrada aos meandros do rio (via obrigatória para chegar a Sevilha), desenvolveu-se durante 400 anos sem perder a ligação àquela comitiva: os seus descendentes sempre mantiveram o sobrenome “Japón”.

A Associação que entretanto de formou estima que existam mais de 1000 pessoas com “Japón” até ao 3º nível de parentesco, e existem registadas mais de 500 com “Japón” em nome próprio ou num dos pais. A abundância de pessoas que têm “Japón” da parte do pai e também da parte da mãe comprova ainda mais o facto de, em Coria del Rio, existir uma circunstância peculiar de ascendência japonesa que se foi mantendo. Do ponto de vista da identidade cultural dos habitantes de Coria del Rio isso também é notório, desde já porque a sede de governo local tem a bandeira do Japão hasteada, e também porque há muitos outros marcadores do espaço público e eventos culturais que remetem para o Japão. Mas tudo isto foi um processo, longo aliás, já que dura há pelo menos 30 anos de forma organizada. E, mais recentemente, em 2014, foi realizado um projecto artístico, focado na fotografia/retrato, para documentar todas as pessoas com o apelido “Japón”.

Essa exposição fotográfica poderia ter ficado apenas em Coria del Rio, ou quanto muito ter chegado em forma de relato ao Japão, já que há muitos japoneses que visitam a localidade espanhola devido a esta história que os liga. Mas, também neste caso, a sinergia não cessou. A energia desta viagem épica do século XVII ainda se sente no modo como os encontros se multiplicam e as iniciativas se sucedem.

Na bela cidade alentejana de Vila Viçosa pode também sentir-se o impacto da passagem de uma embaixada japonesa daquele período histórico, que aliás precedeu a de Kenchou a Espanha. No caso da Embaixada Tenshou – a que passou por Portugal – as circunstâncias foram muito diferentes, e não houve lugar a descendência que se saiba. Contudo, tal como no caso de Coria del Rio, estas embaixadas tiveram um grande impacto e deixaram vestígios documentais que, já no século XX/XXI, vieram a ser “redescobertos” por intelectuais interessados e de visão larga. Assim, os livros produzidos, habilmente redigidos e divulgados junto da população em geral, permitem aos leitores de hoje, e sobretudo aos habitantes destas localidades, ter uma impressão directa do papel que o lugar onde vivem representou na chamada “Primeira Globalização”.

A exposição de fotografias de Coria del Rio chegou ontem a Vila Viçosa, e foi inaugurada com um evento muitíssimo bem organizado e extraordinariamente relevante nas relações entre a Península Ibérica e o Japão. A pequena sala de rés-do-chão do Cine-Teatro Florbela Espanca em Vila Viçosa foi efectivamente o lugar onde se realizou o evento cultural, pedagógico e académico mais significativo do último ano no que diz respeito às relações de diplomacia informal ibero-nipónicas, embora a humildade dos seus protagonistas e a singeleza dos seus organizadores tenham possivelmente distraído o público desse facto.

 

A Exposição “El r@stro del samurái” poderá visitar-se todos os dias da semana e do fim-de-semana, das 14h às 18h, gratuitamente. O catálogo da exposição está também disponível para venda, tendo o PVP de 15 euros, e os fundos revertem para a Associação de habitantes de Coria del Rio com o sobrenome Japón, sendo esses fundos actualmente usados para financiar investigação e promover eventos de interculturalidade.

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Tiago Salgueiro, autor do livro “Do Japão para o Alentejo”, sobre a passagem da Embaixada Tenshou por Vila Viçosa, aqui a apresentar a documentação do arquivo da Fundação Casa de Bragança.

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Professor Doutor Juan Manuel Suárez Japón, membro de grande relevo na Associação Hasekura, aqui a apresentar as circunstâncias únicas de Coria del Rio no que diz respeito à sua relação com o Japão e os japoneses. Com efeito, devido às publicações desta Associação, as quais têm sido feitas em modo bilingue (também japonês), verificou-se um aumento do fluxo de visitantes japoneses, algo que estreitou significativamente as relações internacionais da localidade e trouxe grande satisfação aos “japónes” de Coria.

Convidamos todos os seguidores deste blog a conhecer esta exposição e também a realizar a visita ao Paço Ducal de Vila Viçosa, seguindo os passos da embaixada japonesa que o visitou há quase meio milénio. O estabelecimento de uma geminação entre o município de Coria del Rio e o de Vila Viçosa fazem prever um futuro brilhante para a cooperação entre estas duas localidades no que diz respeito à gestão do património cultural relacionado com o Japão – que é o factor que mais as aproxima – pelo que as relações ibero-nipónicas podem ter aqui um novo fôlego. Nós esperamos que sim, e teremos muito gosto em documentar as próximas iniciativas!

(Para efeitos jornalísticos, se desejar aceder a mais fotos e vídeos deste evento, queira por favor contactar umlongoveraonojapao@gmail.com)

 

 

A importância da Tradução Cultural

O que é a tradução cultural?

E como é que a tradução cultural o pode ajudar a si ou à sua empresa?

Em resultado da nossa recente associação à Câmara de Comércio e Indústria Luso-Japonesa, produzimos um vídeo curto (menos de 5 minutos) para ajudar todos os associados da CCILJ e os visitantes deste blog.

 

Poderá solicitar serviço de consultoria especializada no campo da tradução cultural através de email, para umlongoveraonojapao@gmail.com

 

Património Cultural da Humanidade: rituais de plantação do arroz no Sumiyoshi Shinji

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Continuamos a criar reportagens de locais e eventos no Japão, de modo a poder ajudar os nossos leitores a conhecer o país do sol nascente através destes artigos, ou mesmo ajudá-los a planear a sua viagem ao Japão. Conhecendo melhor as características da sociedade, calendário de eventos e mesmo aspectos climáticos, cremos que poderá fazer escolhas mais acertadas quanto à melhor época e melhor itinerário para visitar o Japão. Acima de tudo, poderá escolher com pleno conhecimento, e planear de acordo com as suas preferências e prioridades.

Procuramos constantemente corresponder às preferências dos leitores, produzindo sempre artigos com o máximo rigor no que respeita à informação e à explicação da cultura japonesa. Nunca perdemos de vista que a nossa prioridade é o desenvolvimento dos Estudos Japoneses através da fruição cultural e de iniciativas pedagógicas, por isso há sempre uma forte componente educativa em tudo o que criamos.

Para além disso, procurámos recentemente apurar quais as preferências dos leitores, e mais exactamente qual o tema sobre o qual queriam saber mais. Uma sondagem na nossa página de facebook informou-nos que queriam ler mais artigos sobre festivais tradicionais, por isso concentrámos a produção de artigos de Janeiro e Fevereiro nesse tema. O artigo mais recente, publicado como sempre no nosso parceiro JapanTravel, apresenta um “matsuri” muito especial: o Sumiyoshi de Osaka.

Clique neste link para ler o artigo completo.