
Autor: inescarvalhomatos
Abril, eventos mil…

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Provérbios Japoneses
Desde o início deste ano que tenho estado a montar um mini-curso de kanji que é muito diferente no habitual. E agora, fruto da parceria com a Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto, já é possível!
Na minha aprendizagem de língua japonesa sempre senti a falta de uma orientação temática dos conteúdos, e sobretudo de um sistema que privilegiasse a parte prática. Para mim a aprendizagem é um processo visual, e a caligrafia é uma parte muito importante para a memorização do significado, forma e fonética de cada kanji. Para além disso, verifiquei que o kanji é uma porta aberta para a filosofia, para aquilo que se pode chamar a “niponidade”, de tal modo que até no Japão é ensinada como tal. Mas se um estrangeiro tem interesse por esses conteúdos não sendo proficiente em língua japonesa o universo da caligrafia está-lhe vedado! Ora eu não acho isso bem… Por isso meti mãos à obra para criar um curso que ensina a caligrafia com todo o rigor e arte, mas ao mesmo tempo é acessível a todos, com ou sem conhecimento de língua japonesa, e ao mesmo tempo dar-lhe a dimensão de um workshop ligeiro, o tipo de coisa que uma pessoa quer fazer para “arejar a cabeça”.
Desde este mês que os workshops de kanji estão aí, sendo a primeira série dedicada aos provérbios japoneses. Como a sessão do passado dia 11 correu tão bem e todos manifestaram vontade de continuar e de alargar o programa, vou fazer mais datas e mais conteúdos. Assim, mesmo quem não se conseguiu inscrever neste poderá fazer os próximos.
Não vos posso deixar espreitar a sala e o que lá fazemos, mas partilho aqui um dos vídeos. Este vídeo é um dos vários que realizei em exclusivo para este programa. Na sala onde decorre o workshop o vídeo é apresentado e comentado, servindo de modelo para os exercícios dos participantes na sessão.
Para consultarem as datas dos próximos workshops escrevam para umlongoveraonojapao@gmail.com, sigam-me no Google+, visitem a página do “Um longo Verão no Japão” no facebook ou então contactem a Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto.
Entrevistas a Cosplayers
A Mostra Nacional de Banda Desenhada trouxe a Coimbra o mundo da BD, da animação e do cosplay. Aproveitando a oportunidade para ficar a conhecer melhor quem se dedica a esta arte fui visitar a Mostra munida de câmara e tive a sorte de encontrar os cosplayers mais simpáticos do mundo!
Veja a primeira parte das entrevistas aqui. A segunda parte está aqui. E em breve irei publicar mais!
Imaterialidades Patrimonializadas, o artigo

A revista Cabo dos Trabalhos, publicação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, acaba de lançar o seu 12º número. Neste volume foi incluído o meu estudo sobre a evolução do conceito de património cultural imaterial e os casos de estudo japoneses: Imaterialidades Patrimonializadas – um percurso.
Pode ler o artigo completo aqui.
Recomendação de Leitura
Com a xenofobia não se brinca !
Ou brinca?
Por mais dramática e revoltante que seja a xenofobia, do ponto de vista das ciências sociais e com uma frieza absoluta poderíamos dizer que ela serve um propósito: o de mostrar que o diferente é diferente e que nenhuma racionalização da diferença o desmente. Dito isto, só com muita inteligência é que se consegue apresentar a xenofobia pelo prisma do cómico, sem cair no ridículo nem no demagogo. Os livros da série “Xenophobe’s Guide” conseguem fazer isso, nem eu sei muito bem como, mas conseguem. A verdade é que uma pessoa – em bom falar – se “parte a rir” ao lê-los.
Mas são necessárias explicações adicionais. Afinal, o que é o “Xenophobe’s Guide”? Trata-se de uma série de livros de pequena dimensão (cabem no bolso mesmo), escritos por um colectivo de pessoas no qual algumas são do próprio país ao qual o livro se refere e outras são estrangeiros que lá viveram, e que apresenta os traços mais “típicos” com um tom eventualmente xenófobo – enfatizando a diferença – mas nunca sendo uma coisa falsa, exagerada ao ponto de ser insultuosa e muito menos desinformada.
Se existem traços de um país ou nacionalidade mais honrados, dignos, eufóricos, belos e etc, seguramente também existem os traços irritantes, absurdos, tontos, com os quais tanto os nacionais como os estrangeiros não podem mesmo. Aquelas coisas que nos tiram do sério, que todos os povos e países têm, e que em boa verdade gostaríamos de nos livrar mas não conseguimos. Essa é a perspectiva desta série de livrinhos poderosos. Tudo regado de bom-humor, numa escrita que é quase oralidade de confessionário.
Digo “poderosos” porque eles informam mesmo, pelo menos no que diz respeito ao que trata do Japão e dos japoneses. Sem problema o recomendo, especialmente se forem apaixonados pelo Japão sem terem lá estado ou se vão para lá para estudar ou trabalhar pela primeira vez. Uma pessoa que fantasie com o Japão só pelos seus traços positivos pode beneficiar e muito com a maneira bem-humorada com a qual este livro lhe desmonta a fantasia, preparando-o para a realidade que vai encontrar.
Depois deste livro fiquei curiosa de ir ver o que diz o que trata de Portugal e dos Portugueses. E aposto que me vou rir também, e suspirar às vezes…

Tílulo:
Xenophobe’s Guide to the Japanese: a frank and funny look at what makes the Japanese JAPANESE
(não conheço uma edição em português)
Autores:
Sahoko Kaji, Professora Universitária na área da Economia
Noriko Hama, Professora Universitária e Economista, Consultora dos media japoneses em assuntos de Ciências Sociais e relação Japão – Ocidente
Jonathan Rice, Consultor de Relações Internacionais para Empresas Multinacionais no Japão, tendo feito a sua educação no Japão
Robert Ainsley, Músico, Escritor, Ciclista, tendo vivido no Japão parte da sua vida
Algumas citações:
“Television programmes and fashion magazines are followed ardently for advice on which burando (brand) is the trend this season. Forget originality and uniqueness. In Japan everybody wants to be different from everybody else in exactly the same way.”
“The Japanese are not good at having a good time without a purpose. They would rather not do watever it is, if they have to do it in a leisurely fashion.”
(About Travel & Tourism) “When they go, they equip themselves with books and magazines, which tell them where to stay, where to shop, what to eat and what to see. The Japanese are really fond of instructions.”
“19th century missionaries to Japan apparently believed the language to be the devil’s invention for preventing them of doing their work. Modern day students of the language, whether Japanese or foreigh, often feel the same way.”
A carta das notícias e o sótão mais japonês de Coimbra
Desde Janeiro deste ano que o projecto cultural e pedagógico “Um longo Verão no Japão” encontrou finalmente um sítio onde pode desenvolver as suas actividades, muito embora a itinerância não seja um mal em si mesmo e estejamos ainda disponíveis para ir a todo o país se nos pedir. Fomos acolhidos pelo Condomínio Criativo, na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto, pelo que podemos usar este maravilhoso espaço para os nossos eventos e workshops. Se tem pedidos e propostas diga-nos, pois gostaríamos de tornar a nossa programação o mais adequada possível ao nosso público. Se representa uma escola ou uma associação cultural e está à procura de formação para professores ou de programação cultural, solicite a lista de temas disponíveis e gratuitos. Também pode receber por email a newsletter, onde ficará a saber o que temos programado para os dois meses seguintes.
A partir da newsletter que foi hoje divulgada destacamos o seguinte:
Colaboração entre a chef Joana Gonçalves, do “Sabor em Casa”, e Inês Carvalho Matos, investigadora em estudos japoneses. A partir de 4 de Março, nas matinés habituais de sexta-feira (das 18.30h em diante) na Casa das Artes também poderá experimentar alguns petiscos típicos do país do sol nascente. Av. Sá da Bandeira, 83; para quem conhece um pouco a cidade fica apenas algumas portas acima do Avenida.
Estamos a receber inscrições para quem esteja interessado num curso de língua, arte, história e cultura japonesas. Diga-nos quais as suas possibilidades de horário e quais os seus interesses. Se reunirmos pelo menos cinco candidatos poderemos abrir uma turma quando começar o próximo ano lectivo japonês, em Abril. As aulas seriam dadas por professores especializados em cada uma das matérias, numa frequência semanal, tendo cada aula 90 minutos. Agradecíamos um donativo de 25 euros mensais, para compensar a deslocação dos professores convidados, a despesa com os materiais e o espaço. Este valor incluí ainda a participação nos eventos de cultura japonesa que se organizam regularmente na Casa das Artes sem pagar a referida inscrição (até um por mês).
No mês de Março retomamos o tema da caligrafia japonesa com o workshop “Desenhar Provérbios – introdução ao kanji, parte II”. No sótão da Casa das Artes, na sexta-feira 11 de Março, das 18.30h às 20h. Esta será uma sessão sobre a sabedoria e alegria dos provérbios japoneses, para praticar a arte da caligrafia. Todos podem participar, quer tenham estado na primeira parte da introdução ao kanji ou não. Nesta sessão terão a oportunidade de escrever alguns provérbios japoneses em kanji, cada um ao seu ritmo, com lápis, caneta ou pincel. Além disso, aprenderemos também a lê-los, pronunciando e escrevendo a sua leitura fonética em hiragana. Este evento é gratuito mas, por uma questão de lotação da sala, agradecemos a sua pré-inscrição.
Rotas e Paisagens da Língua Portuguesa no Japão
A primeira conferência “Rotas e Paisagens da Língua Portuguesa” foi dedicada ao Japão, e teve lugar no dia 30 de Janeiro deste ano. Fique a conhecer um pouco mais sobre o Projeto Bom Dia Japão e sobre o tema da lusofonia no Japão. Aqui pode ver o vídeo com a compilação das comunicações (excertos) e entrevistas.
Recomendação de leitura: O Elogio da Sombra.
O Elogio da Sombra, uma obra de Junichirou Tanizaki (1886-1965), foi publicado em 1933 e teve a sua primeira edição portuguesa em 1999. Tanizaki é um escritor que encarna plenamente a sua geração, preocupado com a especificidade (superioridade?) da cultura japonesa ao mesmo tempo que conhece e comenta a cultura ocidental. A obra, despretensiosa e elaborada à maneira de um ensaio livre, é profundamente visual e frequentemente poética, mesmo sem imagens ou lírica. Contudo, a segunda edição (da Relógio D’Água, 2008) apresenta uma selecção de fotografias que ajudam o leitor a ter uma impressão mais nítida de algumas das considerações do autor.

Ler o Elogio da Sombra é uma coisa que um interessado na cultura japonesa deverá fazer repetidas vezes ao longo do seu percurso de aprendizagem. É suficientemente curto para nos ocupar um dia do final-de-semana e suficientemente denso para nos dar que pensar por muitas semanas! A última vez que o tinha lido fora há cerca de cinco anos, precisamente quando estava a começar uma fase intrépida do meu percurso académico, tendo escolhido prosseguir o doutoramento na área dos estudos japoneses. Ao sentir que necessitava de inspiração voltei-me naturalmente para uma das obras que tinha lido na licenciatura em história da arte, e que ainda penso ser fundamental para entender a arte japonesa. Aliás, o texto de Tanizaki, na forma como tece considerações entre a arquitectura, o culto do chá, o mobiliário e decoração, o teatro, a gastronomia, a literatura, a poesia, e mesmo a vida mundana mostra-nos desde o princípio que as categorias de “arte” que usamos no Ocidente não servem para entender as florações de criatividade nipónicas. Não há uma separação rígida entre “artes maiores” e “menores” e a estética aparece-nos como algo fluido, entre as suas diversas manifestações.
A sombra, uma figura que passa pelas diversas experiências estéticas sobre as quais o autor discorre, serve-lhe para integrar a arte japonesa do passado na projecção da identidade japonesa do (seu) presente. Não sendo sequer enunciado que o autor conhece (e dialoga implicitamente com) as obras de Poe, Baudelaire, ou Wilde, o leitor Ocidental poderá contudo sentir que as palavras lhe são dirigidas por alguém que consegue transpor a ponte do divórcio entre culturas. Para além disso, Tanizaki é o autor de um verdadeiro feito em discurso: dirige-se simultaneamente ao leitor estrangeiro e ao japonês (a obra foi escrita apenas para o público japonês originalmente, mas um público profundamente “ocidentalizado”). Argumenta – com veemência mas sem rudeza – a favor da necessidade de preservar o que o Japão tem de japonês, mesmo depois da febre da ocidentalização, do Grande Terramoto de Kanto (1923) e da emergência do discurso imperialista.
O Elogio da Sombra é como um velho amigo que nunca nos desilude mesmo se o negligenciámos um pouco, e nunca merecerá ganhar pó na prateleira. Se ainda não teve a oportunidade de se deleitar com esta leitura considere visitar uma livraria e sentar-se um pouco na sua companhia. Duvido muito que resista a levá-lo para casa…
Delícias a caminho…
Olá amigos do costume e visitantes ocasionais. Estou em preparativos para a próxima sessão gastronómica. Não sei se sabem mas eu faço preparativos a sério, com ensaios, testes, provas pelos amigos e conhecidos… Enfim, no fundo quero apresentar-vos realmente o meu melhor em cada formação ou workshop. Por isso no próximo dia 13 de Fevereiro, para além do programa habitual, vou apresentar o resultado de uma receita nova, totalmente original. Isso mesmo, uma criação própria!
Se quiserem provar esta delícia e muitas outras, bem como aprender a conhecer e preparar o verdadeiro matcha japonês, inscrevam-se na próxima sessão. Basta enviarem email com o primeiro e último nome para umlongoveraonojapao@gmail.com. É no dia 13 de Fevereiro, a partir das 16h, na Casa das Artes (Av. Sá da Bandeira , 83) em Coimbra.
Estou muito contente com esta receita nova pois combina algumas das características que realmente ambicionava juntar: é económica e muito fácil de fazer, pode ser feita em família porque tem etapas divertidas para os mais novos, e os ingredientes japoneses que são usados são fáceis de encontrar em Portugal, e por fim – mas não menos importante – é tão rápida que literalmente podem fazê-la enquanto a água para o chá aquece.

O resultado é este. Querem saber como lá se chega?
É só seguir a galeria de imagens. A lista de ingredientes está no final.
AVISO
A culinária contemporânea é uma arte, e portanto tem autores. As receitas e os procedimentos que seguem temas tão específicos como este (a fusão de elementos japoneses com elementos portugueses) não aparecem do ar, são fruto de muito estudo, muito trabalho, muito ensaio. E, neste caso, fazem parte de um projecto cultural e pedagógico devidamente registado na IGAC. A autora apresenta a receita neste blog no âmbito do programa de formação designado “Momentos Matcha”, sem com isso prescindir dos seus direitos. Está totalmente interdita a apropriação comercial ou industrial, por particular ou empresa.
Recomendações:
Se usarem massa fresca pré-preparada devem primeiro desenrolá-la e depois cortá-la em quatro partes iguais, por fim devem esticar cada uma das partes. Não se esqueçam de esticar bem a massa, pois mesmo aquela que se compra em rolo “pronto a usar” não está suficientemente fina.
A cozedura foi feita a 200 graus, durante 10 minutos, arejado (ventoínha).
A galeria de fotos mostra os primeiros dois pedaços de massa (cujo resultado final é uma espécie de rolo de strudel). Escolhi pôr no forno dois de cada vez em vez dos quatro ao mesmo tempo para o ar circular melhor.
Lista de ingredientes:
- aproximadamente 270gr de massa folhada fresca (eu usei Belbake)
- aproximadamente 200gr de queijo fresco meio-gordo (eu usei Campainha)
- uma colher de sopa de açúcar integral de cana
- uma colher de sopa de matcha
- um ovo
- uma colher de sobremesa de mirin
- uma colher de sobremesa de kuzu seco (deve esmagar previamente os blocos até ficar em pó)
- farinha para polvilhar