Clube Leituras do Oriente

A próxima reunião do Clube Leituras do Oriente é já amanhã. O livro é “O Tumulto das Ondas” e a conversa vai ser acompanhada de chá do Japão. Hoje fica aqui o texto sobre o autor, que será amanhã também distribuído na reunião.

Se quiser participar no Clube ou sugerir leituras envie email para

umlongoveraonojapao@gmail.com

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A autora deste texto é Inês Carvalho Matos, para o projeto cultural e pedagógico “Um longo Verão no Japão”. A publicação deste texto no blog http://www.umlongoveraonojapao.com não constitui alienação dos direitos à propriedade intelectual. Este texto não pode portanto usar-se no todo ou em partes por outrem, particular ou empresa, sem que sejam negociados os direitos com a sua autora.

HIRAOKA Kimitake nasceu a 14 de Janeiro de 1925 em Tokyo, filho de um funcionário governamental com grande erudição no campo da literatura e filosofia clássicas da China, no seio de uma família muito tradicionalista e ligada por clientela ao clã Maeda. Foi efetivamente criado pela sua avó até ter 12 anos. Esta era neta de um Daimyo (Senhor Feudal) na prefeitura de Hitachi. A sua avó passou-lhe a mesma educação aristocrática que ela tivera, visto que se orgulhava de estar na linhagem do próprio Tokugawa Ieyasu. Nos primeiros anos de adolescência Kimitake transitou do ambiente protegido e largamente feminino da casa da avó para uma estrutura educativa para-militar na casa paterna. Esta era tão rígida que o próprio veio mais tarde a revelar que o pai lhe rasgava as folhas onde escrevia (já tinha um grande gosto pela escrita) e o forçava a “provas de coragem” como estar a poucos centímetros de um comboio em movimento. Kimitake manifestou desce cedo uma grande competência para a aprendizagem de línguas estrangeiras, tendo dominado o alemão, o inglês e o francês ainda na adolescência. Isso permitiu-lhe ler obras de referência da literatura universal e conhecer intimamente os seus autores, pois podia ler a versão original.

O nome MISHIMA Yukio foi criado pelos seus professores para submeterem um dos seus textos a uma revista literária. Esta decisão visava proteger a identidade do jovem, então com cerca de 20 anos, e permitir que não fosse alvo da chacota dos colegas ao mesmo tempo que o motivava a continuar a escrever. O texto não só foi publicado na revista como teve uma versão impressa em separado em 1944. Apenas dois anos depois foi publicado mais um texto no qual o tema é precisamente o abuso e a violência a que o autor se vê sujeito por parte dos colegas de escola simplesmente por se interessar pelas letras.

Kimitake poderia até sentir que não estava a honrar os seus antepassados por não manifestar uma atitude de samurai em relação à guerra que decorria (a Segunda Guerra Mundial)*, mas o escritor que havia em si – Yukio – foi prolífico durante esses anos**. Mesmo com o racionamento do papel vários dos seus textos foram publicados. Noutros casos foi o próprio autor que escolheu não os entregar à prensa e continuar a trabalhar neles até que a guerra acabasse, o que veio a produzir algumas mas mais notáveis novelas e peças de teatro do Japão contemporâneo. Os seus temas eram tremendamente contemporâneos, tais como o de jovens aristocratas que se sentem atraídos pelos rituais ancestrais e espetaculares de suicídio, o do homem homossexual que tem de se esconder atrás de uma máscara de virilidade em tempos de guerra, ou versões mais atualizadas de peças de teatro medievais que refletem os dramas da vida quotidiana. Emergia claramente um estilo próprio e novas estratégias narrativas. Por exemplo, Mishima usava eventos marcantes nas suas ficções, tais como incêndios ou notícias que tinham sido amplamente divulgadas.

Logo que lhe foi possível começou a fazer viagens ao estrangeiro ***, tendo escolhido a Grécia como um dos seus primeiros destinos por lhe interessar o papel que a mitologia representa na literatura ficcional. Com efeito, a novela “O Tumulto das Ondas” foi escrita na sombra dessa viagem, entre 1952 e 53, e o autor assumiu até que se inspirou no mito de Daphne e Chloe. A partir do final da década de 50 começou também a escrever para cinema e a entrar em alguns filmes. A sua prestação de ator era considerada pelo próprio como uma extensão natural da criação de personagens tal como já fazia ao escrevê-las. Contudo, esta entrada no ecrã deu-se depois do próprio se ter passado a interessar pela sua saúde e aparência, visto que de 1955 em diante praticou religiosamente treino físico diário e um regime alimentar restritivo.

Da sua vida amorosa sabe-se que chegou a estar para casar com uma jovem que também tinha ligações aristocráticas chamada SHOUDA Michiko (que mais tarde veio a casar com Akihito e é agora a Princesa Michiko), mas acabou por casar em 1958 com SUGIYAMA Yoko, com a qual teve dois filhos, uma rapariga e um rapaz. Os seus filhos e a sua mulher nunca assumiram em público que o chefe de família tivesse conflitos de orientação sexual, no entanto vieram a ser publicadas cartas que o mesmo trocou com outros escritores e intelectuais nas quais se implica que teve experiencias homossexuais. Com efeito, os seus comportamentos estavam muitas vezes ligados à sua atividade literária, e a cronologia das cartas e das visitas a bares gay corresponde à escrita da obra “Cores Proibidas”.

Foi apenas depois de 1966 que o seu lado de fanatismo imperialista se revelou. Depois do Japão se ter subjugado à ocupação americana as células de resistência passaram a ser monitorizadas e dissolvidas com zelo. Contudo, isso apenas fez com que passassem a ser clandestinas, o que acentuava ainda mais o apelo dramático que exerciam nos homens japoneses, os quais se sentiam psicologicamente castrados e profundamente humilhados, pese embora extrapolassem essas emoções através de uma projeção na figura do Imperador. Não se gritava nas ruas pela recolocação do Imperador no seu anterior estatuto mas Kimitake veio também a sentir que esse grito estava simplesmente a ser silenciado. Assim, formou uma milícia constituída sobretudo por estudantes universitários, a qual praticava treino físico intenso e jurava obediência às “Vozes do Império”, uma abstração da figura do Imperador e do Japão idealizado. Esta orientação passou para a sua atividade profissional: as obras que escrevia eram sobretudo peças de teatro com os temas do patriotismo, da morte e da honra. Numa década em que os partidos à esquerda cresciam cada vez mais no Japão, Kimitake estava a remar contra a corrente, continuando a defender em plena luz do dia que o Imperador não deveria ter abdicado ou então deveria responsabilizar-se pelas mortes de milhares de japoneses que o tinham seguido para a Guerra. Com efeito, enquanto toda uma nação se voltava para a renovação, o escritor sentia-se preso a um paradoxo histórico, as suas raízes samurais exigiam-lhe que não aceitasse virar a página, e o fascínio por uma morte com honra crescia na sua mente. Veio a realizá-la em 1070, quando cometeu seppuku com a ajuda da sua milícia.

 

*  A justificação oficial para não ser recrutado foi a de se encontrar doente dos pulmões. Alguns biógrafos indicam que teria tuberculose e outros que teria uma simples gripe.

**  Graduou-se na Universidade de Tokyo em 1947. Contudo teve um esgotamento por exaustão logo em 1948. Veio a revelar-se mais tarde que durante todo o curso e no ano seguinte ele escrevia todas as noites, não dormindo, e passava todos os dias nas aulas e em palestras suplementares dadas por escritores, bem como em teatros e outros eventos ligados à literatura.

 ***  O Japão praticava uma política de isolamento, não sendo possível ao cidadão comum deslocar-se para além das suas fronteiras, sendo que se o fizesse não poderia regressar (ou seria preso). Apenas depois da Segunda Guerra Mundial foram revistas as normas de emigração e de viagem ao estrangeiro.

 

Recomendação de Leitura

Com a  xenofobia não se brinca !

Ou brinca?

Por mais dramática e revoltante que seja a xenofobia, do ponto de vista das ciências sociais e com uma frieza absoluta poderíamos dizer que ela serve um propósito: o de mostrar que o diferente é diferente e que nenhuma racionalização da diferença o desmente. Dito isto, só com muita inteligência é que se consegue apresentar a xenofobia pelo prisma do cómico, sem cair no ridículo nem no demagogo. Os livros da série “Xenophobe’s Guide” conseguem fazer isso, nem eu sei muito bem como, mas conseguem. A verdade é que uma pessoa – em bom falar – se “parte a rir” ao lê-los.

Mas são necessárias explicações adicionais. Afinal, o que é o “Xenophobe’s Guide”? Trata-se de uma série de livros de pequena dimensão (cabem no bolso mesmo), escritos por um colectivo de pessoas no qual algumas são do próprio país ao qual o livro se refere e outras são estrangeiros que lá viveram, e que apresenta os traços mais “típicos” com um tom eventualmente xenófobo – enfatizando a diferença – mas nunca sendo uma coisa falsa, exagerada ao ponto de ser insultuosa e muito menos desinformada.

Se existem traços de um país ou nacionalidade mais honrados, dignos, eufóricos, belos e etc, seguramente também existem os traços irritantes, absurdos, tontos, com os quais tanto os nacionais como os estrangeiros não podem mesmo. Aquelas coisas que nos tiram do sério, que todos os povos e países têm, e que em boa verdade gostaríamos de nos livrar mas não conseguimos. Essa é a perspectiva desta série de livrinhos poderosos. Tudo regado de bom-humor, numa escrita que é quase oralidade de confessionário.

Digo “poderosos” porque eles informam mesmo, pelo menos no que diz respeito ao que trata do Japão e dos japoneses. Sem problema o recomendo, especialmente se forem apaixonados pelo Japão sem terem lá estado ou se vão para lá para estudar ou trabalhar pela primeira vez. Uma pessoa que fantasie com o Japão só pelos seus traços positivos pode beneficiar e muito com a maneira bem-humorada com a qual este livro lhe desmonta a fantasia, preparando-o para a realidade que vai encontrar.

Depois deste livro fiquei curiosa de ir ver o que diz o que trata de Portugal e dos Portugueses. E aposto que me vou rir também, e suspirar às vezes…

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Tílulo:

Xenophobe’s Guide to the Japanese: a frank and funny look at what makes the Japanese JAPANESE

(não conheço uma edição em português)

Autores:

Sahoko Kaji, Professora Universitária na área da Economia

Noriko Hama, Professora Universitária e Economista, Consultora dos media japoneses em assuntos de Ciências Sociais e relação Japão – Ocidente

Jonathan Rice, Consultor de Relações Internacionais para Empresas Multinacionais no Japão, tendo feito a sua educação no Japão

Robert Ainsley, Músico, Escritor, Ciclista, tendo vivido no Japão parte da sua vida

Algumas citações:

“Television programmes and fashion magazines are followed ardently for advice on which burando (brand) is the trend this season. Forget originality and uniqueness. In Japan everybody wants to be different from everybody else in exactly the same way.”

“The Japanese are not good at having a good time without a purpose. They would rather not do watever it is, if they have to do it in a leisurely fashion.”

(About Travel & Tourism) “When they go, they equip themselves with books and magazines, which tell them where to stay,  where to shop, what to eat and what to see. The Japanese are really fond of instructions.”

“19th century missionaries to Japan apparently believed the language to be the devil’s invention for preventing them of doing their work. Modern day students of the language, whether Japanese or foreigh, often feel the same way.”

Recomendação de leitura: O Elogio da Sombra.

O Elogio da Sombra, uma obra de Junichirou Tanizaki (1886-1965), foi publicado em 1933 e teve a sua primeira edição portuguesa em 1999. Tanizaki é um escritor que encarna plenamente a sua geração, preocupado com a especificidade (superioridade?) da cultura japonesa ao mesmo tempo que conhece e comenta a cultura ocidental. A obra, despretensiosa e elaborada à maneira de um ensaio livre, é profundamente visual e frequentemente poética, mesmo sem imagens ou lírica. Contudo, a segunda edição (da Relógio D’Água, 2008) apresenta uma selecção de fotografias que ajudam o leitor a ter uma impressão mais nítida de algumas das considerações do autor.

o elogio da sombra

Ler o Elogio da Sombra é uma coisa que um interessado na cultura japonesa deverá fazer repetidas vezes ao longo do seu percurso de aprendizagem. É suficientemente curto para nos ocupar um dia do final-de-semana e suficientemente denso para nos dar que pensar por muitas semanas! A última vez que o tinha lido fora há cerca de cinco anos, precisamente quando estava a começar uma fase intrépida do meu percurso académico, tendo escolhido prosseguir o doutoramento na área dos estudos japoneses. Ao sentir que necessitava de inspiração voltei-me naturalmente para uma das obras que tinha lido na licenciatura em história da arte, e que ainda penso ser fundamental para entender a arte japonesa. Aliás, o texto de Tanizaki, na forma como tece considerações entre a arquitectura, o culto do chá, o mobiliário e decoração, o teatro, a gastronomia, a literatura, a poesia, e mesmo a vida mundana mostra-nos desde o princípio que as categorias de “arte” que usamos no Ocidente não servem para entender as florações de criatividade nipónicas. Não há uma separação rígida entre “artes maiores” e “menores” e a estética aparece-nos como algo fluido, entre as suas diversas manifestações.

A sombra, uma figura que passa pelas diversas experiências estéticas sobre as quais o autor discorre, serve-lhe para integrar a arte japonesa do passado na projecção da identidade japonesa do (seu) presente. Não sendo sequer enunciado que o autor conhece (e dialoga implicitamente com) as obras de Poe, Baudelaire, ou Wilde, o leitor Ocidental poderá contudo sentir que as palavras lhe são dirigidas por alguém que consegue transpor a ponte do divórcio entre culturas. Para além disso, Tanizaki é o autor de um verdadeiro feito em discurso: dirige-se simultaneamente ao leitor estrangeiro e ao japonês (a obra foi escrita apenas para o público japonês originalmente, mas um público profundamente “ocidentalizado”). Argumenta – com veemência mas sem rudeza – a favor da necessidade de preservar o que o Japão tem de japonês, mesmo depois da febre da ocidentalização, do Grande Terramoto de Kanto (1923) e da emergência do discurso imperialista.

O Elogio da Sombra é como um velho amigo que nunca nos desilude mesmo se o negligenciámos um pouco, e nunca merecerá ganhar pó na prateleira. Se ainda não teve a oportunidade de se deleitar com esta leitura considere visitar uma livraria e sentar-se um pouco na sua companhia. Duvido muito que resista a levá-lo para casa…

 

 

 

 

 

Sugestão de leitura: Um dia sonhei que voava.

Dias de chuva, um frio que se começa a instalar e a pedir a manta sobre o colo, a chávena de chá fumegante… Em domingos assim eu sinto a urgência de me dedicar a um livro. Nem sinto fome ou qualquer outra necessidade, todo o meu ser se deleita com a leitura. É um prazer peculiar, que nem toda a gente tem; nestes dias o livro encadernado tem sido preterido face a tablets e outros. Mas suponho que ainda há quem não desista de dar aos autores o merecido tempo de invadirem as nossas cabeças pelo artifício de lermos as suas palavras em folhas de papel.

No domingo passado, ainda de madrugada, peguei num dos volumes que tinha trazido de uma das muitas feiras e pequenas vendas que visito. Tratava-se de um “A5” não muito pesado, com uma capa da mesma cor das folhas de ginko que agora encontramos nas alamedas: aquele amarelo meio-torrado meio-dourado. Lembrava-me que o tinha comprado por ter lido na lombada uma breve descrição do tema de natureza onírica, ou talvez mesmo surrealista. Um dos traços que mais gosto da ficção japonesa é a capacidade de ligar (e não meramente de misturar) o impossível com o quotidiano realista. Há uma maneira de o fazer na literatura ocidental, claro (afinal, “A metamorfose”…), mas também é verdade que há uma maneira “japonesa” de criar este tipo de narrativas, com um pouco mais de – chamemos-lhe assim na falta de melhor termo – inteligência emocional. 
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O livro tem o título “Um dia sonhei que voava” e a edição em língua portuguesa desta obra de Taichi Yamada foi feita pela Editora Civilização em 2007. Pesquisei depois, para vossa informação, que esta edição em língua portuguesa foi traduzida da versão em inglês, que por sua vez foi a primeira tradução do original em japonês: “Tobu yume wo shibaraku minai” (do final dos anos 80). As traduções dos romances de Taichi Yamada foram efectivamente muito tardias, mesmo as primeiras traduções de japonês para inglês (de onde depois quase todas as outras se seguem) foram feitas entre dez a quinze anos depois dos leitores japoneses terem acesso a estas belas histórias. E a razão para isso não é a falta de sucesso!

Com efeito, Taichi Yamada (que tem o nome de nascimento Taichi Ishizaka) é um autor bem conhecido no campo do guionismo para televisão e da literatura de ficção. Só se dedicou à escrita depois dos 30 anos mas os filmes e séries que resultaram da sua escrita cativaram largas audiências e sobretudo entraram na cultura popular do Japão. “Tabu Yume wo” terá sido o seu terceiro romance, mas ao lê-lo ficamos com a sensação que é mais um conto alargado do que um romance. Para além das propriedades claramente “fílmicas” do modo como desenrola a narrativa (ou as “cenas”), a história tem, literariamente falando, toda a estrutura e estilo de um conto.

No livro seguimos as acções e pensamentos de Taura, um homem de 48 anos, ao qual acontecem coisas incríveis depois de ter tido um esgotamento nervoso e um acidente ao ser promovido para um cargo de grande responsabilidade na sua empresa. A família de Taura afasta-se dele emocionalmente quando todos os sinais “profanos” indicam que ele é um falhado. Mas de certo modo é aí que a vida de Taura começa a ser interessante, ou como o mesmo diz, “livre”. O ingrediente que falta é o gatilho que dispara a história, e que aqui é Mutsuko. Mas o que é ela, uma velha, uma mulher adulta, uma adolescente, ou uma criança? Mutsuko é a “princesa” do “príncipe” na análise do folquelore europeu, na teoria da psicanálise e na história da literatura, é a “outra parte” do EU. Através das suas experiências de vida com Mutsuko, Taura vive finalmente toda a viagem emocional da sua existência, desde o hedonismo à compaixão, passando pela aventura e adrenalina, aceitando a frustração e a perda. Taura nunca se arrepende ou nega as solicitações de Mutsuko porque o que os une é a própria força de viver, de existir. A palavra “amor” nunca é empregue, isto é o Japão afinal…Mas seria talvez mais correcto aplicar a palavra “Eros” no seu sentido helénico e cosmogónico.

Ao contrário de muitos outros livros escritos por homens maduros e que dissecam momentos relacionais entre um ser masculino e um ser feminino, neste eu não me senti ausente. Não senti artificialidade, paternalismo, objectificação. Em vez disso a narrativa pareceu-me ter camadas cada vez mais subtis; a uma interpretação literal (ainda assim muito interessante) sucedia-se uma interpretação introspectiva, e depois ainda uma mensagem de questionamento metafísico. Foi uma leitura que me agarrou da primeira à última página, e graças à sua dimensão modesta (187 páginas), foi possível fazer esta extraordinária deriva em relação à realidade num único domingo! Senti que fiz umas férias, espreguicei-me como um gato e sorri para o pôr do sol.

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Em 1990 o realizador Eizo Sugawa levou “Tobu Yume Wo” para as salas de cinema. 

Informações úteis: este livro pode ser encontrado em Feiras do Livro, pequenas vendas de livros em eventos culturais, e livreiros de “outlet” por 5 euros (o preço pelo qual o comprei), embora a aquisição através da Editora Civilização, do website Wook.pt ou de livrarias maiores tenha o preço de capa de 15 euros.

Apresentação do livro, exposição e documentário “Património de Cristianismo no Japão” na Universidade de Coimbra

A exposição de fotografias será inaugurada no dia 15 de Abril, às 18h, no Instituto Universitário Justiça e Paz, que se localiza na Couraça de Lisboa, por trás da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

Esta exposição reúne nove fotografias a cores, recolhidas em diversos lugares das prefeituras de Saga e Nagasaki, as quais se encontram reproduzidas a preto&branco no livro “Património de Cristianismo no Japão”. Este livro, para além de servir de catálogo à exposição, é um texto de tipo não-ficcional, um relato de trabalho-de-campo com forte componente pedagógica, e inscreve-se nas áreas dos Estudos Japoneses e da Antropologia Visual.

Trata-se de um livro de divulgação científica, na medida em que apresenta as problemáticas da investigação de uma forma acessível ao público em geral, repleta de referências para um posterior aprofundamento do assunto, sem comprometer a complexidade do tema nem perder de vista a centralidade do património cultural imaterial.

O livro é uma publicação sem fins lucrativos já que 100% dos Direitos de Autor são doados à Associação Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro.

Também no dia 15, das 18.30h às 19.30h, e ainda no I.U.J.P. será apresentado o documentário (inédito) que foi criado a partir deste projecto de investigação. A presença da autora permitirá, no final da projecção, algum tempo de conversa com o público.

Para ver a “preview” deste documentário (que foi apresentado pela primeira vez publicamente no lançamento do livro, a 30 de Janeiro), siga este link:

Este é um evento de entrada livre.

A autora agradece ao Instituto Universitário Justiça e Paz pela cedência do espaço.