Mais e melhor turismo japonês em Portugal

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Todos os japoneses ouviram falar de Portugal na escola básica, nomeadamente quando estudaram História do Japão, uma disciplina obrigatória. Sabem, por exemplo, que a introdução das armas de fogo através dos portugueses, no século XVI, transformou profundamente as tácticas militares japonesas e veio a desencadear uma resolução mais rápida do período de guerras endémicas que se vivia na altura. Sabem também que os missionários cristãos que chegaram ao Japão por via da relação com Portugal tiveram grande impacto social e político. E, talvez até mais comummente, sabem que a introdução de doces à base de açúcar e ovos é um legado da presença portuguesa no país. De muitas e variadas formas têm uma vaga consciência de Portugal ser um país conhecido pelo Fado, Futebol, boa comida e pessoas calorosas, mas possivelmente não muito mais do que isso. Sobre o Portugal contemporâneo, os japoneses conhecem pouco. Isto é, se não forem tocados por um dos muitos “divulgadores” de Portugal que já existem no Japão.

 

( Temos mais vídeos sobre os japoneses que amam Portugal e que mostram a cultura portuguesa no Japão! Subscreva o canal de Youtube a apoie os nossos esforços para ligar estas pessoas e iniciativas entre Portugal e o Japão. )

 

Sendo autênticos “embaixadores” do nosso país, existem muitos japoneses e japonesas que, pela sua afeição a Portugal, aos portugueses e/ou à língua portuguesa, têm feito o digníssimo trabalho – muitas vezes por puro amor à camisola – de dar a conhecer os encantos do Portugal do século XXI. Mostram aos japoneses os produtos portugueses de melhor qualidade, sejam vinhos, azeites, comidas ou doces, ou fazem mostras de fotografias do nosso património cultural mais significativo. Organizam concertos de fado, muitos são eles próprios fadistas que aprenderam durante um período de estadia em Portugal. Organizados em pequenas associações, ligados a colectivos artísticos, ou a trabalhar para pequenos negócios familiares tais como galerias, mercearias e cafés, estes japoneses fazem chegar aos outros japoneses uma imagem de Portugal muito concreta e apetecível, feita de sabores, cores, simpatia e encanto. Essa é realmente a estratégia que melhor funciona junto do público japonês, e sem dúvida a que os faz ficar com curiosidade para saber mais sobre Portugal e, eventualmente, visitar.

A atracção manifesta-se de modos muito diferentes em cada cultura. O que faz alguém sentir vontade de saber mais sobre alguém? Sobre um lugar? O que faz alguém imaginar-se a ir, a aventurar-se, a conhecer? Para que o público japonês se sinta atraído por Portugal ao ponto de embarcar numa viagem ao nosso país é necessário que a cultura portuguesa lhe seja dada a experimentar quando ainda se encontra no Japão e através de interlocutores japoneses. E, não menos importante, o modo como isso se pode fazer com resultados positivos, depende de compreender aquilo que exerce efectivamente atracção significativa nos japoneses, aquilo que permite maturar a ideia e a decisão de visitar Portugal e investir no nosso país (mesmo se seja apenas como consumidor de turismo). Ou seja, as estratégias habituais de promoção de Portugal no estrangeiro, nomeadamente as campanhas publicitárias pensadas para o público norte-americano ou europeu, têm pouco ou nenhum resultado junto do público japonês, e podem ter até o efeito contrário!

 

( Vlogs de influencers, blogers a jornalistas, realizados por japoneses em visita a Portugal, têm tido um grande impacto junto dos japoneses. Este tipo de conteúdos veio a tornar-se cada vez mais popular a partir de 2010, sendo já mais visto do que as habituais reportagens de TV, que antes eram o principal meio de construção de “tendências” para os circuitos de turismo. ) 

 

Neste momento todas as actividades ligadas ao Turismo, e todos os profissionais qualificados desse sector (nomeadamente programadores culturais, guias-intérpretes, consultores, autores de conteúdos de divulgação, etc) enfrentam condições inéditas. O evento da pandemia era, em larga medida, inesperado e é indiscutível que arrastou para uma crise profunda todos aqueles que tinham usufruído das extraordinárias condições de expansão do sector na última década. Decisões governamentais tais como o encerramento de fronteiras e a filtragem da entrada de visitantes estrangeiros, não sendo iguais em todos os países, criaram condições para uma redução muito significativa da circulação de pessoas no momento presente e, num futuro próximo, irão conduzir à implementação de novas práticas e sistemas que nunca antes tiveram de ser considerados. No imediato, assistimos a uma mudança de direcção no foco da promoção das práticas veraneantes e de turismo, nomeadamente à reafirmação da lógica “vá para fora cá dentro” e do “visite Portugal”. Apesar de meritória, esta direcção é na verdade de curto alcance, e a insistência na mesma para a sobrevivência do vastíssimo sector do Turismo e Património Cultural em Portugal é inevitavelmente votada ao fracasso. A única possibilidade de sustentabilidade é a retoma de um fluxo de visitantes externos, ávidos de qualidade, receptivos a realizar investimento, e com boas práticas ao nível do respeito pelo património cultural e pelas comunidades que visitam.

Os turistas japoneses, que já são famosos pelo modo como têm orgulho em deixar tudo limpo e salubre à sua passagem, apresentam-se como um tipo de visitante que estima enormemente a manutenção da beleza, segurança e autenticidade dos espaços por onde passam. Têm profunda aversão à descaracterização de lugares (mesmo os que visitam no estrangeiro) e apoiam muito significativamente os circuitos de produção de artigos regionais, sobretudo quando têm um elevado valor cultural e boa qualidade. Por tudo o que foi acima exposto, atrevemo-nos mesmo a a considerar que o turista do Japão é o turista ideal (se não “o” pelo menos “um dos”) para o Portugal pós-pandemia. E, portanto, deveria ser fortemente desenvolvida a estratégia de promoção de Portugal como destino de visita junto do público japonês, no Japão, usando as pessoas, redes e sistemas previamente existentes e que tão bons resultados já foram alcançando. Agora, mais do que nunca, importa partir do que funciona e amplificar, criando condições para que o circuito de visita a Portugal por parte dos turistas japoneses, nos seus variados tipos e géneros, seja cada vez maior e mais profundo, preferencialmente dando a conhecer um Portugal que valha a pena revisitar múltiplas vezes, ou mesmo escolher como residência para os anos dourados das suas vidas.

Assista à nossa conversa com os representantes oficiais do Turismo de Portugal no Japão, disponível em dois vídeos (acesso por Youtube). Agradecemos a partilha dos vídeos e a subscrição do canal, para podermos continuar o nosso trabalho.

 

 

Se não conseguiu ver os vídeos acima indicados, siga estes links:

Parte 1

Parte 2

 

 

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